quarta-feira, 12 de maio de 2010
Dois anos de muita alegria e estudos
É com muita satisfação que venho informar-lhes que, amanhã, este blog estará completando 2 anos de muito estudo e dedicação à Doutrina Espírita.
E como o objetivo deste blog são as análises, amanhã estarei publicando um texto especial justamente sobre a importância da análise crítica de tudo quanto seja publicado ou opinado em nosso movimento.
Todos sabemos que a avalanche de livros publicados por editoras espíritas e não espíritas, por pessoas muitas vezes descomprometidas com qualquer fundamentação doutrinária, estão lotando as livras espíritas ou não.
É neste momento que a correta formação doutrinária, assunto que muito preocupou e preocupa escritores e pensadores espíritas de todas as épocas.
J. Herculano Pires, um fabuloso escritor espírita, jornalista, professor de Filosofia e defensor do Existencialismo Espírita, certa vez afirmou:
"Sem a formação doutrinária, não teremos um movimento espírita coeso e coerente. E, sem coesão e coerência, não teremos Espiritismo. Essa a razão por que os Espíritos Superiores confiaram às mãos de Kardec o pesado trabalho da Codificação. Kardec teve de arcar, sozinho, com a execução dessa obra gigantesca. Porque só ele estava em condições de realizá-la".
Como exigir novas revelações aos espíritos se nós não sabemos como avaliar e verificar as informações transmitidas? Como realizar com proveito uma pesquisa de aprofundamento sobre as temáticas atuais se não temos uma ferramenta indispensável para estes estudos: a evocação? Pois Kardec deixou claro que as revelações espontâneas, como as vemos nos dias de hoje, são de alto valor instrutivo, entretanto, nunca deveríamos nos esquecer do consenso universal [o tão discutido e polemizado CUEE - Controle Universal do Ensino dos Espíritos exposto na Introdução do Evangelho segundo o Espiritismo e da Revista Espírita de 1864] para o correto estabelecimento de novos princípios espíritas.
"Enquanto não compreendermos que Espiritismo é cultura, as tentativas de unificação do nosso movimento não darão resultados reais. Darão aproximações arrepiadas de conflitos, aumento quantitativo de adeptos ineptos, estimulação perigosa de messianismos individuais e de grupos. Flamarion, que nunca entendeu realmente a posição de Kardec, e chegou a dizer que ele fez obra um tanto pessoal, como se vê no seu famoso discurso ao pé do túmulo, teve, entretanto, uma intuição feliz quando o chamou de bom senso encarnado.
Esse bom senso é que nos falta. Parece haver se desencarnado com Kardec, e volatizado com Denis. Hoje, estamos na era do contra-senso. Os mesmos órgãos de divulgação doutrinária que pregam o obscurantismo, exibem pavoneios de erudição personalista, em nome de uma cultura inexistente. Porque cultura não é erudição, livros empilhados nas estantes, fichário em ordem para consultas ocasionais. Cultura è assimilação de conhecimentos e bom senso em ação".
"A formação espírita exige ensino metódico mas, ao mesmo tempo, livre. Foi o que os Espíritos deram a Kardec: um ensino de que ele mesmo participava, interrogando os mestres e discutindo com eles. [Não observamos esta mesma liberdade por parte dos reveladores atuais, faltam diálogo, estudo, pesquisa, sabatinando o autor espiritual na busca pela mais completa tranparência e fidelidade à verdade] Por isso, não houve infiltração de mistificadores na obra inteiriça, nesse bloco de lógica e bom senso, que abrange os cinco livros fundamentais de Codificação, os volumes introdutórios e os volumes da Revista Espírita, redigidos por ele durante quase doze anos de trabalho incessante".
"Precisamos de expositores didáticos, servidos por bom conhecimento doutrinário, arduamente adquirido em estudos e pesquisas. Expor os temas fundamentais da Doutrina, não é falar bonito, com tropos pretensamente literários, que só servem para estufar vaidade, à maneira da oratória bacharelesca do século passado".
"Precisamos definir a posição cultural espírita perante a nova cultura dos tempos novos. E só faremos isso através de organismos culturais bem estruturados, funcionais, dotados de recursos escolares capazes de fornecer, aos mais aptos e mais sinceros, a formação cultural de que todos necessitamos, com urgência".
Estes são trechos do livro "O Mistério do Bem e do Mal" de José Herculano Pires.
É por tudo isto, pela necessidade de pensarmos verdadeiramente o Espiritismo que idealizamos este blog. E é por isto, ainda mais, que escrevemos o texto que vocês poderão ler amanhã. Um texto feito com imenso carinho e, ai de mim, sem a menor pretensão de ser o dono da verdade, ou a única cabeça pensante do movimento. Estou apenas fazendo a minha parte, conforme inspiração da Espiritualidade.
Então, espero por todos vocês amanhã, para leitura e comentários deste novo texto e para comemoração de mais um ano no ar, ou melhor, pela vitória de poder estar há mais de dois anos e com mais de 6. 000 visitantes de vários países, inclusive o Brasil.
Um fraterno abraço a todos e até amanhã!!
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Alerta contra a fascinação
Kardec informa, em O Livro dos Médiuns, que diante das diversas dificuldades que a prática do Espiritismo apresenta, precisamos colocar em primeiro plano o problema da obsessão. A palavra obsessão assume, assim, a função de termo genérico que designa o conjunto de características diversas resultantes do grau de constrangimento e da natureza dos efeitos que produz e que precisamos distinguir com precisão, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.
A obsessão simples é a forma de influenciação mais comum e de mais fácil diagnóstico e cura; a subjugação é o seu oposto, pois ela é um envolvimento que produz a paralisação da vontade da vítima, fazendo-a agir mesmo contra a sua vontade. Entretanto, neste estudo, nosso interesse maior é na problemática fascinação.
A fascinação define Allan Kardec, “trata-se de uma ilusão criada diretamente pelo Espírito no pensamento do médium e que paralisa de certa maneira a sua capacidade de julgar as comunicações. O médium fascinado não se considera enganado. O Espírito consegue inspirar-lhe uma confiança cega, impedindo-o de ver a mistificação e de compreender o que escreve, mesmo quando este salta aos olhos de todos” [1].
Os efeitos conseqüentes da fascinação são muito graves porque é graças a essa ilusão criada pelo espírito sobre o fascinado que pode levá-lo a aceitar as doutrinas ou teorias mais absurdas, como sendo a única expressão da verdade levando-o, ainda, a atitudes ridículas, comprometedoras e, até, muito perigosas.
É por isso que J. Herculano Pires afirma que “no meio espírita ela se manifesta de maneira ardilosa através de uma avalanche de livros comprometedores, tanto psicografados como sugeridos a escritores vaidosos, ou por meio de envolvimento de pregadores e dirigentes de instituições que se consideram devidamente assistidos para criticarem a Doutrina e reformularem os seus princípios” [2].
Assim sendo, é natural observar-se que na fascinação o espírito deve ser muito inteligente, ardiloso e profundamente hipócrita, pois, só assim conseguirá enganar e impor-se usando uma máscara e uma falsa aparência de virtude, usando as palavras caridade, humildade e amor como ‘carta de fiança’ para ser aceito.
O que desejam é impor a sua opinião e para isso procuram médiuns crédulos o suficiente para aceitá-los de olhos fechados. Eles são os mais perigosos pelo fato de não vacilarem em sofismar para melhor impor as mais ridículas utopias.
Normalmente utilizam uma linguagem empolada, mais superficial que profunda e cheia de termos técnicos, enfeitada com grandiosas palavras como Caridade e Moral, evitando inteligentemente os maus conselhos para que seus enganados possam dizer: observem que nada dizem que seja mau. Fica claro que os enganadores têm de misturar o joio e o trigo, pois de outra forma seriam repelidos.
Um fato interessante é que os espíritos desta classe (ver Escala Espírita [5]) são quase sempre escritores. É por isso que procuram médiuns flexíveis, que escrevam com facilidade, para poder transformá-los em dóceis instrumentos e, acima de tudo, verdadeiros entusiastas de suas ideias. Eles procuram compensar sua falta de qualidade pela quantidade de palavras, em escritos verdadeiramente volumosos, muitas vezes indigestos, num claro exemplo de prolixidade. Os espíritos verdadeiramente superiores são sóbrios nas palavras porque sabem dizer muita coisa usando poucas linhas e provando que devemos desconfiar sempre de toda fecundidade prodigiosa.
Aliás, sempre que se tratar da publicação destes tipos de escritos nunca será demais a prudência, pois as inúmeras utopias e excentricidades são um entrave enorme para todos aqueles que se iniciam no Espiritismo, dando-lhes uma ideia equivocada do que ele seja, desviando a atenção dos neófitos tanto dos princípios fundamentais espíritas quanto de suas inevitáveis conseqüências.
Pelo fato de que a obsessão propriamente dita só acontece quando o Espírito afasta voluntariamente todos aqueles que o poderiam ameaçar, impondo ao médium um isolamento que o impediria de ser alertado do engano a que se submete, é oportuno ressaltar que os bons Espíritos jamais se impõem, recomendando sempre que examinemos as comunicações, mediúnicas ou não, sob controle da razão e da lógica mais severa.
Outro fato digno de nota é que quando o Espírito vê que suas mensagens não são aceitas cegamente como queria, sendo submetidas à análise e discussão, além de não deixar o médium, redobrando suas forças para reter o fascinado, ainda pode sugeri-lo o pensamento de afastar-se do grupo, ou instituição espírita a que está ligado, quando não chega mesmo a impor como condição para o ‘sucesso’ do médium criar sua própria instituição, ou grupo de estudos, para dar prosseguimento aos seus ‘trabalhos’ e livros ‘reveladores’.
É por isso que todo médium, ou indivíduo, que, ao ouvir uma crítica a tais mensagens se irrita, aborrece ou embirra com as pessoas que não participam da sua admiração, que acha que suspeitar do seu obsessor é quase uma profanação não faz mais do que representar o desejo do fascinador, faltando somente que se ponham de joelhos ante as suas palavras para satisfazê-lo ainda mais.
Esse isolamento nunca é bom, pelo simples fato de que o médium fica sem possibilidades de controle sobre tudo o que recebe por sua psicografia. Pois quando o processo obsessivo é de origem ‘simples’ o médium está, geralmente, em condições de iniciar, ele mesmo o trabalho de ‘conversão’ do Espírito obsessor. Entretanto, na fascinação é o contrário, pois o Espírito pode adquirir um controle sobre a vítima sem limites. Reverter este quadro nem sempre é fácil, pois o fascinado se torna surdo a qualquer tipo de raciocínio, podendo chegar, até mesmo, a duvidar da Ciência quando o Espírito comete alguma heresia científica.
Deve o médium, se não quiser ser enganado, buscar esclarecer-se através da opinião de terceiros, bem como estudar todos os gêneros de comunicações, para poder aprender a compará-las. Pois se limitando somente ao que recebe, por mais sublimes que pareçam, fica exposto a enganar-se quanto ao seu valor, considerando-se que ele, o médium, não conhece tudo.
Não é à toa que, das nove características citadas por Kardec para se reconhecer uma obsessão [3], pelo menos quatro são facilmente observáveis em muitos médiuns, inclusive alguns famosos, nos dias de hoje:
1) Ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações recebidas;
2) Crença na infalibilidade e na identidade absoluta dos Espíritos que se comunicam e que, sob nomes respeitáveis e venerados, dizem falsidades e absurdos;
3) Disposição para se afastar das pessoas que podem esclarecê-lo; e
4) Levar a mal a crítica das comunicações que recebe.
A obsessão é como já foi dito, um dos maiores escolhos da mediunidade, sendo um dos mais freqüentes, principalmente a fascinação, nunca sendo demais todas as providências tomadas para combatê-la.
É por isto que devemos ter sempre em mente este conselho de São Luís, quando nos encontrarmos em dúvida quanto à qualidade ou identidade de algum espírito: “por mais legítima confiança que vos inspirem os Espíritos [...], há uma recomendação que nunca seria demais repetir e que deveis ter sempre em mente ao vos entregardes aos estudos: a de pesar e analisar, submetendo ao mais rigoroso controle da razão todas as comunicações que receberdes; a de não negligenciar, desde que algo vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro, de pedir as explicações necessárias para formar a vossa opinião” (grifo nosso)[4].
Pois é, a experiência ensina, além disso, que não devemos tomar muito ao pé da letra certas expressões usadas pelos Espíritos, pelo simples fato de que se as interpretarmos segundo as nossas ideias nos expomos a enormes decepções e enganos. É por isso que precisamos analisar e aprofundar o sentido das suas palavras quando apresentam a menor ambigüidade. Só assim estaremos a salvo dos Espíritos pseudossábios e da problemática fascinação.
Referências:
[1] Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução da 2ª edição francesa por J. Herculano Pires. São Paulo – LAKE, 2004, cap. XXIII, item 239, p. 217.
[2] Idem, ibidem. Nota de rodapé.
[3] Idem, ibidem. Item 243, p. 219.
[4] Idem, ibidem. Item 266, p. 236.
[5] Idem. O Livro dos Espíritos. Tradução de José Herculano Pires, revista e anotada. 7ª Ed. São Paulo, LAKE, 2003. Livro segundo, capítulo I, item VI, q. 104.
* Artigo publicado na Revista Internacional de Espiritismo, edição de Junho de 2010.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Uma questão de responsabilidade mediúnica

“De maneira sistemática e contínua, vêm-se tornando comuns algumas pseudorrevelações alarmantes, substituindo as figuras mitológicas de Satanás, do Diabo, do Inferno, do Purgatório, por Dragões, Organizações Demoníacas, regiões punitivas atemorizantes, em detrimento do amor e da misericórdia de Deus que vigem em toda parte”. (Vianna de Carvalho [1])
Não é de hoje que o nosso movimento espírita se vê envolvido por pseudorrevelações de espíritos sistemáticos, presunçosos, escrevinhadores mesmo que, à conta de um palavrório técnico, com termos bem escolhidos e apoiados em palavras como Amor e Caridade, vêm se dedicando, de forma insistente, a tornar suas informações e opiniões pessoais em lei.
Contam ainda com a ajuda de médiuns imprevidentes, muitos verdadeiros desconhecedores, ao que parece, dos mais básicos conhecimentos sobre os escolhos resultantes da comunicação entre os dois mundos e, que, fascinados, sabe-se lá por que motivos se fazem intérpretes e porta-vozes destas mistificações grosseiras, que tanto mal fazem ao Espiritismo e ao movimento espírita brasileiro, e, porque não, mundial.
O Espírito Vianna de Carvalho, no trecho citado acima, faz referência direta a personagens que, de forma contínua, somos ‘forçados’ a ver publicados em livros, divulgados em artigos de seus simpatizantes e, que ironia, até presentes em eventos espíritas de grande porte, alguns tentando abordar [ou deformar] a Ciência Espírita. Que tristeza!
Ele ainda afirma que a Doutrina Espírita, “fundamentada em fatos, estudada pela razão e lógica, não admite em suas formulações esclarecedoras quaisquer tipos de superstições, que lhe tisnariam a limpidez dos conteúdos relevantes, muito menos ameaças que a imponham pelo temor, como é habitual em outros segmentos religiosos” [1].
Até porque “certamente existem personificações do Mal além das fronteiras físicas, que se comprazem em afligir as criaturas descuidadas, assim como lugares de purificação depois das fronteiras de cinza do corpo somático, todos, no entanto, transitórios, como ensaios para a aprendizagem do Bem e sua fixação nos painéis da mente e do comportamento” [1].
Vianna ainda esclarece no mesmo artigo que “da mesma forma como não se deve enganar os candidatos ao estudo espírita, a respeito das regiões celestes que os aguardam, desbordando em fantasias infantis, não é correto derrapar em ameaças em torno de fetiches, magias e soluções miraculosas para os problemas humanos” [...] [1].
Reflexões bastante oportunas não? Até porque “a simples mudança mental já proporciona ao indivíduo a conquista do equilíbrio perdido, facultando-lhe a adoção de comportamentos saudáveis que se encontram exarados em O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, verdadeiro tratado de eficiente psicoterapia ao alcance de todos que se interessam pela conquista da saúde integral e da alegria de viver” [1].
É por isso que José Herculano Pires, eminente escritor, jornalista e professor espírita, em texto introdutório inserido em A Gênese, adverte que “não é através de pretensas revelações mediúnicas de Espíritos e médiuns invigilantes e vaidosos, nem de videntes convencidos de suposta investidura missionária, [...] que se fará o progresso do Espiritismo. Por isso, os espíritas dotados de humildade suficiente para reconhecer a sua incompetência espiritual e intelectual para tanto, servem melhor à doutrina e a preservam das deturpações dos invigilantes” [2].
Semelhante conselho é dado por Kardec quando adverte que nunca será demais a prudência, quando se tratar da publicação de semelhantes escritos, pois as utopias e excentricidades que são abundantes nestes, chocam o bom senso, provocando uma impressão muito desagradável nas pessoas que se iniciam, dando uma falsa ideia do Espiritismo e de suas conseqüências, sem contar que dá armas aos adversários do Espiritismo para ridicularizá-lo.
Há entre estas publicações as que, sem serem más e sem provirem de um processo obsessivo, podem ser consideradas como imprudentes, intempestivas e inábeis.
Em conseqüência disto Herculano Pires afirma que é “muito comum este fato, que vem ocorrendo com espantosa intensidade no Brasil, em virtude da propagação da prática espírita sem o desenvolvimento paralelo do conhecimento doutrinário. Por toda parte aparecem publicações inoportunas, desviando a atenção do público dos problemas fundamentais do Espiritismo, excitando a imaginação e o orgulho de médiuns incultos que, ainda em desenvolvimento, se deixam empolgar pela vaidade pessoal, dando atenção aos elogios de companheiros menos avisados e sendo envolvidos por espíritos pseudossábios, sistemáticos, imaginosos. Todo cuidado é pouco neste terreno” [3] (Grifo nosso).
Vale ressaltar que estes Espíritos evitam os maus conselhos por saberem que seriam ignorados, de maneira que os mistificados os defendem sempre, afirmando: “pode ver que eles não dizem nada de mau”. Mas a moral é apenas um acessório, que só serve para iludir e conseguir ser aceito, pois o que mais desejam é dominar e impor as suas ideias, por mais absurdas que pareçam.
Cabe observar ainda que desde a década de 50 temos inúmeros alertas de diversos escritores espíritas, encarnados e desencarnados, sobre este fato e parece-me que o espírita brasileiro, ao invés de aceitar a existência deste problema e se apressar em corrigi-lo, prefere acreditar em um falso protecionismo espiritual, onde eles nos protegeriam de tudo, até de ter o trabalho de analisar os textos vindos do além; sem contar que cabe a nós, e não a eles, os espíritos, conforme nos ensinam passar toda e qualquer informação dos espíritos pelo crivo da razão e da lógica mais severa, no exercício da vivência espírita do dia a dia.
Até porque, “jamais a mediunidade séria estará à serviço dos espíritos zombeteiros, levianos, críticos contumazes de tudo e de todos que não anuem com as suas informações vulgares, devendo tornar-se instrumento de conforto moral e de instrução grave, trabalhando a construção de homens e de mulheres sérios que se fascinem com o Espiritismo e tornem as suas existências úteis e enobrecidas”.
E o antídoto para essa onda de pseudorrevelações é o conhecimento real, lúcido e profundo do Espiritismo. Além da conscientização de que, para que uma informação seja aceita e deixe de ser considerada mera opinião pessoal e se torne hipótese, ou mesmo um princípio, ela necessita ser legitimada pela universalidade do ensino, através de um verdadeiro consenso entre as informações dos Espíritos, por médiuns desconhecidos entre si, de forma espontânea ou mesmo provocada, através das esquecidas e ignoradas evocações, em grupos sérios, solidamente formados, e por médiuns seriamente conscientes de seus papéis como intérpretes, e não autores, das informações dos Espíritos, conforme estabeleceu o Codificador.
“Desse modo [encerra Vianna], utilizando-se da caridade como guia, da oração como instrumento de iluminação e do conhecimento como recurso de libertação, os adeptos sinceros do Espiritismo não se devem deixar influenciar pelo moderno terrorismo de natureza mediúnica, encarregado de amedrontar, quando o objetivo máximo da Doutrina é libertar os seus adeptos, a fim de os tornar felizes”.
Oportunas as palavras deste Espírito, tendo em vista de que vêm acrescentar mais peso às vozes de meros espíritas encarnados, simples mortais que tentam exercitar a atitude crítica em nosso movimento, submetendo ao cadinho da razão e da lógica todas as observações sobre os Espíritos e as suas comunicações.
Encerramos com uma mensagem do Espírito Erasto: “lembrai-vos, ainda, de que, quando uma verdade deve ser revelada à Humanidade, ela é comunicada, por assim dizer, instantaneamente, a todos os grupos sérios que possuem médiuns sérios, e não a este ou àquele, com exclusão dos outros” [4].
Ótimas reflexões e bons estudos!
Bibliografia:
[1] Carvalho, Vianna de. Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, no dia 7 de dezembro de 2009, durante o período de realização do XVII Congresso Espírita Nacional, em Calpe, Espanha e publicado em Reformador, edição de março de 2010, p. 9 -11, cujo título é Terrorismo de natureza mediúnica.
[2] Kardec, Allan. A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Tradução de Victor Tollendal Pacheco; apresentação e notas de J. Herculano Pires. 21ª edição, São Paulo; LAKE, 2003, p. XIII.
[3] ______________. O Livro dos Médiuns. Tradução da 2ª edição francesa por J. Herculano Pires. São Paulo – LAKE, 2004, cap. XXIII, item 247, nota de rodapé, P. 222.
[4] ______________. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de J. Herculano Pires, 61ª edição. São Paulo – LAKE, 2006, cap. XXI, p. 265.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Salve Chico Xavier!
No dia 2 de abril de 2010, se estivesse encarnado entre nós, o saudoso Francisco Cândido Xavier estaria completando 100 anos de vida. Um vida totalmente dedicada à Doutrina dos Espíritos e ao consolo de milhares de pessoas.
Muitas destas obras, as boas e irrepreensíveis, são coletâneas de filhos, irmãos, pais e jovens que, desencarnados, vieram dar o seu testemunho de sobrevivência, enquanto outros vieram inocentar amigos, parentes, réus acusados de crimes aos quais não tiveram a culpa que lhes era imputada. Outras sãs as escritas por André Luiz e Emannuel, no que se refere às questões evangélicas e sobre a conduta do espírita. Outras contado um pouco sobre a época de Jesus, a autobiografia espiritual do próprio Emannuel em Há dois mil anos, que narra o seu contato com Jesus, a obra Paulo e Estevão, que conta a vida do Apóstolo cristão, e tantas outras de conteúdo moral irrepreensível. Embora ainda caiba a nota de que, referente às obras de André Luís e de seus informes sobre a vida no mundo espiritual, é preciso resguardar-se de aceitar como verdade última e insofismável, verdadeiro retrato da vida do lado de lá. Não. Não foi isso que Kardec ensinou.
Outras duas obras em parceria com Herculano Pires foram lançadas e, ao lermos as diversas cartas do Chico publicadas em Na Hora do Testemunho, percebemos que o querido médium não foi coagido a participar de uma empreitada destas à força, muito menos que se sentisse ameaçado, mas, simplesmente decidiu manifestar sua opinião de forma contundente, e demonstrar que não era um ser passivo, manipulado por qualquer um que falasse mais energicamente.Infelizmente, em toda a sua trajetória, salvo em alguns momentos, Chico era mais assessorado por bajuladores e tietes, que desejavam tê-lo como ledor da sorte ou oráculo, ou uma alavanca para a autopromoção, do que por verdadeiros espíritas que, à semelhança do que fizera Kardec com os médiuns diversos que conheceu e conviveu em sua sociedade espírita, dava amplo apoio e auxiliava no estudo e avaliação contínuas de sua própria faculdade mediúnica bem como dos ditados que psicografassem. Muitos, até, se pudessem, o elegeriam 'santo', apontariam 'milagres' obtidos por preces feitas a ele, entre outras atitudes incoerentes com tudo o que ele representa, ensinou e exemplificou.
Entretanto, polêmicas à parte, mesmo a que ainda hoje movimenta Minas Gerais, a da famosa senha que ele teria deixado para saberem se é ele ou não quem envia informes do outro lado, a sua pessoa, a sua bondade, a sua caridade, a sua certeza de que o Espiritismo deve e precisa ser conhecido de forma aprofundada para poder ser corretamente divulgado, o exemplo de seu mediunato, são as lições que devem marcar de forma indelével a cada um de nós.
Hoje, são mais de 400 obras em 70 anos de trabalho mediúnico. Vendeu mais de 25 milhões de livros e doou toda a renda (toda) para instituições de caridade. Nunca ficou com 1 centavo de tudo o que produziu.
É com alegria que escrevemos estas páginas, curtas, polêmicas, saudosistas, em reverência a uma das figuras espíritas brasileiras mais importantes, não simplesmente por sua mediunidade, da qual ele não fazia motivo de autopromoção, muito menos para se autodenominar 'o maior', mas, pela sua humildade, bondade, serenidade e capacidade de passar horas consolando e ensinando sem se sentir impaciente, incomodado, em um verdadeiro exercício de amor fraterno. E ainda, pela sua constante defesa pelo correto estudo da Codificação e pela valorização do conhecimento espírita, pelos espíritas e em benefício da sociedade.
Salve Chico Xavier, que teu exemplo sirva para todos aqueles que 'dizem' serem teus seguidores, admiradores, 'amigos' e simpatizantes da Doutrina que a conheceram em virtude de tua personalidade ímpar.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Novo visual e reconhecimento
Criamos também duas enquetes para que os nossos leitores possam opinar sobre o visual do blog e sobre assuntos que gostariam de ver publicados em nossa página virtual.
E para coroar nossa decisão de mudar, tranzendo-nos grande felicidade, recebemos como reconhecimento pela mudança e conteúdo dos nossos textos um selo de reconhecimento e valorização da imprensa espírita, que você poderá ver do lado direito, no alto, do blog.
Agradecemos ao Carlos, mas, muito mais a todos vocês que lêem e opinam neste blog, divulgam, criticam e fazem sugestões de temas para análise.
É isso, agora votem nas enquetes e me ajudem, com sugestões, a manter o 'nível' de qualidade do blog para fazermos valer o selo de reconhecimento de nosso trabalho.
Obrigado a todos!
sábado, 13 de março de 2010
Analisando a Escala Espírita

Em O que é o Espiritismo encontramos a seguinte observação: "Os Espíritos não sendo senão as almas dos homens, estes não adquiriram a perfeição, deixando o seu envoltório terrestre. O progresso do Espírito não se realiza senão com o tempo, e não é senão sucessivamente que ele se despoja de suas imperfeições e adquire os conhecimentos que lhe faltam".
E em outro momento ele afirmaria que "essa diversidade na qualidade dos Espíritos é um dos mais importantes pontos a considerar, porque ela explica a natureza boa ou má das comunicações que se recebem; é preciso, sobretudo, se interessar em distingui-las" [2].
Esta distinção é, sem dúvida, um dos maiores escolhos da ciência espírita. É por isso que "do ponto de vista da ciência prática, a Escala Espírita nos oferece a maneira de julgar os Espíritos que se apresentam nas manifestações e ainda o de apreciar o grau de confiança que sua linguagem deve inspirar" [1].
Segundo o Minidicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, da Lexicon, o termo classificação significa: "Ordenação ou distribuição de seres ou coisas, segundo algum critério". E é em O Livro dos Espíritos, item 100, que o codificador explica qual é o critério utilizado: "a classificação dos Espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento, nas qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições de que ainda não se livraram".
Como se pode observar, esta é uma classificação eminentemente psicológica e que não se apóia em caracteres materiais, muito menos na correção do estilo ou no aspecto formal da linguagem, pois ela serve para qualquer Espírito, independente de onde se manifeste. Por isso, somente sondando-lhes o íntimo, pesando, analisando e submetendo ao mais rigoroso exame tudo o que venha deles é que discerniremos a verdade do erro.
"A experiência ensina que não devemos tomar sempre ao pé da letra as expressões usadas pelos espíritos. Interpretando-as segundo as nossas idéias, expomo-nos a grandes decepções. È por isso que precisamos aprofundar o sentido de suas palavras quando apresentam a menor ambigüidade" ([4], cap. VIII, item 128).
É interessante ressaltar que esta escala não é absoluta e que nenhuma categoria apresenta caráter bem definido, a não ser no conjunto e que a transição, de um ponto a outro é insensível, pois nos limites as diferenças se apagam como no exemplo do arco-íris ou nos diferentes períodos da vida humana.
Kardec ainda esclarece no texto a seguir a sua participação na estruturação da escala: "não inventamos os Espíritos nem os seus caracteres. Vimos e observamos; julgamos pelas suas palavras e os seus atos, e depois os classificamos pelas semelhanças, baseando-nos nos dados que eles mesmos nos forneceram". Ele ainda explica que "se o quadro [...] não foi textualmente traçado pelos Espíritos, e se dele tivemos a iniciativa, todos os elementos dos quais se compõem foram tomados dos seus ensinamentos; não nos restou mais do que formular-lhe a disposição material" [(6), fevereiro de 1858].
Ainda cabe ressaltar que esta classificação, não sendo obra exclusiva de Kardec, foi aprovada pelos Espíritos, pois, como encontramos em Prolegômenos [5], "nada contém que não seja a expressão de seu pensamento e não tenha sofrido o seu controle". Ou seja, a Escala Espírita passou pela supervisão dos Espíritos Superiores e estes deixaram a Kardec "a distribuição metódica" dos assuntos, a forma, enquanto que o que lhes cabia priorizar era o fundo, a essência. Esta era uma parte da missão de Kardec: materializar, por assim dizer, em livros, a essência do pensamento dos Espíritos verdadeiramente superiores [ Ver item 287 de O Livro dos Médiuns].
Podemos observar esta verdade mais facilmente quando analisamos o próprio livro-base do Espiritismo. Na questão 96 somos informados de que existe uma hierarquia entre os espíritos segundo o grau de perfeição a que tenham chegado. Na questão 97 os Espíritos respondem que o número de ordens é ilimitado, entretanto, "se considerarmos os caracteres gerais, poderemos reduzi-las a três ordens principais". [Ver também (5), Introdução, item VI]
Observe-se, antes de tudo, que os Espíritos não pertencem exclusivamente a esta ou àquela classe, e que eles podem reunir as características de mais de uma categoria, o que se pode apreciar por um estudo aprofundado.
Na base da escala podemos observar que nem todos são essencialmente maus, uns não fazem nem bem nem mal; outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram ocasião de praticá-lo. Há ainda os espíritos levianos, mais travessos do que malévolos, que se comprazem mais na malícia do que na maldade, encontrando prazer em mistificar e causar pequenas contrariedades, das quais se riem. Neste grupo ainda se encontram os Espíritos pseudo-sábios, que não perdem a oportunidade de falar de tudo, mesmo do que não saibam, de construir sistemas, criar utopias e que se sentem felizes quando encontram intérpretes complacentes e crédulos a ponto de aceitarem suas elucubrações de olhos fechados.
Os da segunda ordem estão caracterizados pelo incessante desejo de praticar o bem e pela predominância do Espírito sobre a matéria. São os bons espíritos. Cabe ressaltar que não sendo todos os espíritos sérios igualmente esclarecidos, há muitas coisas que ignoram e sobre as quais podem se enganar de boa fé. E que os Espíritos verdadeiramente superiores nos recomendam sempre submeter todas as comunicações ao controle da razão e da lógica mais severa. [ver nosso artigo Da Natureza das Comunicações]
Os da primeira ordem são todos os que atingiram o supremo grau de perfeição. Não estando mais sujeitos a reencarnação em corpos perecíveis, vivem a vida eterna, sendo os mensageiros de Deus, cujas ordens executam, para manutenção da harmonia universal.
Esta é uma divisão racional e com caracteres bem positivados, restando a Kardec destacar, como já foi dito, por um número suficiente de subdivisões, as principais nuanças do conjunto, o que fez sempre com o concurso dos Espíritos, cujas instruções benevolentes jamais lhe faltaram. Assim, a Escala Espírita é composta por três ordens principais e dez categorias.
Vale observar ainda que o que acontece aqui, como em toda classificação científica, é que os sistemas podem ser mais ou menos racionais, mais ou menos completos, mais ou menos cômodos para a inteligência sem que isto altere a sua necessidade.
Será com a ajuda deste quadro, informa Kardec, que poderemos determinar a ordem e o grau de superioridade ou inferioridade dos Espíritos com que podemos entrar em contato, sendo mais fácil, assim, avaliar o grau de estima e confiança que eles devem merecer.
É por isto que o codificador afirma que a Escala Espírita é, "de alguma maneira, a chave da Ciência Espírita, pois só ela pode explicar-nos as anomalias que as comunicações apresentam, esclarecendo-nos sobre as irregularidades intelectuais e morais dos Espíritos" [5].
Procedendo com os Espíritos da mesma forma que com os homens, foi que o codificador empreendeu a sua tarefa, não os considerando reveladores predestinados, mas, sim, elementos de instrução. Pois "incumbe ao observador formar o conjunto, coordenando, colecionando e conferindo, uns com os outros, os documentos que tenha recolhido". Essa sempre foi a regra invariável a que ele se impôs nos estudos espíritas: observar, comparar e julgar.
E esta é a missão que cabe a cada espírita, com o apoio da Escala. Pois, numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é que a iniciativa pertence aos Espíritos e que a sua elaboração é o resultado do trabalho do homem, que estuda e compara, tirando daí, dos ensinos dos Espíritos, as suas conclusões e aplicações.
É por tudo isto que devemos ressaltar a importância da Escala Espírita em nossos estudos e análises, e, acima de tudo, para tudo aquilo que venha dos Espíritos. Bons estudos e até a próxima!
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[1] Instrução Prática sobre as Manifestações Espíritas, FEB.
[2] O que é o Espiritismo, IDE.
[3] Obras Póstumas, LAKE.
[4] O Livro dos médiuns, LAKE.
[5] O Livro dos Espíritos, LAKE.
[6] Revista Espírita, IDE.
* Artigo publicado na edição de abril da Revista Internacional de Espiritismo.
domingo, 7 de março de 2010
Agência de Notícias Espíritas da Paraíba
Venho convidá-los a visitarem o blog da ANESPB - Agência de Notícias Espíritas da Paraíba para conhecerem o belo trabalho do Jornalista espírita Carlos Barros e sua equipe de colaboradores que se empenham em trazer sempre as melhores notícias do nosso movimento e de contribuir com suas opiniões no esclarecimento de assuntos e polêmicas em torno de nossa querida doutrina.
Que todos possam visitar sua belíssima página e conhecer o seu prodigioso jornal PENSADOR, que tive a alegria de conhecer nesta sexta-feira passada.
http://anespbmovimento.blogspot.com/
Visitem, baixem o jornal, leiam, comentem e façamos um movimento espírita mais crítico, sensato e coerente!
Abraços a todos e vida longa à ANESPB!
Até a próxima.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
A Importância dos Princípios e Da Reencarnação na RIE
Talvez, quem sabe, não seja uma oportunidade de expandir ideias, conceitos e aprofundar análises. Bem, tudo isto poderá acontecer quando minha vida acalmar e eu me reorganizar. Estou preparando alguns textos e espero que todos gostem.
Mais alguns dias e, creio, as postagens retornarão à normalidade, talvez até com mais frequência. Até lá, convido a todos que puderem e quiserem me prestigiar que possam acompanhar meus escritos pela revista do saudoso Cairbar Schutel.
Um forte abraço e até a próxima!
Site da RIE: www.oclarim.com.br


