quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Mostra Espírita 2010 – Impressões Gerais

Falar da Mostra Espírita é falar de um evento já tradicional na capital pernambucana. Que, como todo e qualquer evento com a temática espírita, tem a obrigação de levar ao público espírita e não espírita que faz questão de participar a verdade espírita, os princípios lógicos e racionais que a fundamentam e a realidade sobre o movimento espíritac com qualidade, seja ele como um todo, nacional, seja ele particularizado, regional, pernambucano.


Os palestrantes presentes foram Antonio Cesar Perri (DF), Frederico Menezes (PE), Sandra Borba (RN), Juselma Maria Coelho (MG), Spencer Júnior (PE), Wagner Gomes da Paixão (MG), Marival Veloso de Matos (MG) e Sérgio Ramos (PE). O evento aconteceu entre os dias 17, 18 e 19 de setembro. Bom, alguns leitores do meu blog já devem ter lido a outra resenha que fiz deste evento, no ano de 2008. Quem ainda não leu, aconselho que o leia, se quiser saber qual foi a nossa opinião sobre o mesmo [1].


Este ano o evento tem o objetivo de prestar uma homenagem a Francisco Cândido Xavier, mais conhecido como Chico Xavier, grande médium, homem boníssimo, mas que não escapou às imperfeições humanas. Entretanto, seu amor, sua compaixão pelo próximo auxiliam a que possamos mensurar a grandeza de tão bela alma. Embora saibamos que não existem médiuns perfeitos [2], deveríamos nos contentar com o fato de que “o melhor é o que, simpatizando somente com os bons Espíritos, tem sido enganado menos vezes”.


Entretanto, não é porque é “do Chico” que devemos aceitar toda e qualquer informação psicografada sem análise crítica [3] nem supor que nada de ‘equivocado’ possa vir por ele, pois isso só prova que se desconhece o Espiritismo, notadamente os ensinos contidos em O Livro dos Médiuns, livro básico, e até hoje primordial e atualíssimo. Até porque Chico não é, nem foi um santo, muito menos um Espírito Superior reencarnado na Terra. Sua vida é um exemplo de como um Espírito como qualquer um de nós, que deseja casar, ter filhos, sabe, viver como vivemos, consegue superar-se e doar-se, sacrificar-se para levar a bom termo seu mediunato [4].


A escolha da temática não é ruim, é muito boa, entretanto, ficamos nos questionando do ‘por que’ se colocar duas análises sobre duas obras bastante polêmicas e, uma em questão, bastante criticada e omitir a fantástica parceria existente entre Chico e Herculano Pires, considerado por Emmanuel como “o melhor metro que mediu Kardec”, quando este último tomou para si a incumbência de resgatar um espaço existente nos Diários Associados mal aproveitado para publicar textos com mensagens psicografadas de Emmanuel e do próprio Herculano com o pseudônimo de Irmão Saulo? Parceria esta que durou em torno de 10 anos?


Porque omitir a coragem que teve o Chico, estimulado por Herculano Pires, de se defender da acusação de ter sido o ‘mentor’ da primeira tentativa de adulteração de O Evangelho segundo o Espiritismo? Por que não falar dos livros publicados pelos dois (Astronautas do Além, Chico Xavier Pede Licença, Diálogo dos Vivos, Na Era do Espírito e Na Hora do Testemunho), em uma parceria prodigiosa, sendo este último, inclusive, um claro protesto e tentativa de esclarecimento sobre a questão da adulteração?


E a parceria entre o Chico e Waldo Vieira, antes dele se desgostar com o movimento espírita brasileiro e fundar a Conscienciologia? Quantos livros não foram publicados? Como o foram? Sabe, tinha tanta coisa boa, em vez de se ficar exaltando desnecessariamente o médium, colocando-o em um pedestal que ele nunca quis usar.


De todos os que usaram a tribuna, para mim os melhores foram Sandra Borba (RN), Spencer Júnior (PE) e Juselma Maria Coelho (MG). E como eu não desejo ultrapassar os limites de uma resenha irei comentar apenas estes três.


O tema proposto a Juselma foi “Resultantes da atuação de Chico Xavier aos sábados, na sombra do abacateiro”. Diferente de outras vezes eu gostei muito da palestra dela. Ela ressaltou a importância que os estudos sobre O Evangelho segundo o Espiritismo, feitos por Chico teve na vida de cada pessoa envolvida, citou histórias contadas por Chico, inclusive uma de Kardec sobre a intuição de seu desencarne e sua insistência em pedir para que sua esposa o representasse na inauguração da primeira livraria espírita do mundo, o que ocorreria um dia após o seu desencarne. Como não conheço esta estória, se ocorreu mesmo ou não, prefiro ficar com o benefício da dúvida, sem lançar descrédito sobre quem a contou.


A palestra de Spencer Júnior, muito conhecido aqui em Recife e em todo o estado teve como tema “Chico Xavier, uma vivência integral na prática do bem ao próximo”. Quem o conhece sabe que ele não consegue largar com facilidade o jargão técnico, o que, muitas vezes dificulta o entendimento do público não afeito à linguagem mais erudita, mais acadêmica. Entretanto, nesta palestra ele conseguiu intercalar algumas citações de Nietzche, por exemplo, ao chamar Chico de ”homem demasiadamente humano”, e outras de Kant e Montesquieu, no claro intuito de demonstrar que Chico nunca quis ser endeusado, tido como médium perfeito, muito menos como infalível, com outras sobre sua infância na louvável intenção de tornar mais clara a sua abordagem sobre o tema. Ele, o Chico, sempre teve noção do que era e de suas limitações, não desejando que suas obras, ou melhor, que as obras que psicografou fossem tidas como intocáveis e, muito menos, que os erros dos Espíritos fossem omitidos para salvaguardar o seu nome. E, ignorando a linguagem muito técnica usada algumas vezes, sua palestra foi ótima.


Sandra Borba Pereira veio em seguida com o tema “Considerações sobre a obra ‘Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho’”, a primeira das duas obras que chamei de polêmicas. Esta já recebeu inúmeras críticas por apresentar um Jesus que não sabe onde fica o Brasil, que precisa ser consolado e que apresenta um ‘anjo’ como protetor do Brasil. Inúmeras são as incoerências desta obra que em tempo futuro tentaremos abordar de maneira imparcial, como deve ser uma crítica espírita, tendo como bússola, acima de tudo, a Codificação deixada pelos Espíritos. Sandra gastou um tempo enorme ‘preparando’ os ouvintes e acabou falando de outros assuntos, assumindo aparentemente como verdadeira a tese esposada na obra, se detendo boa parte do tempo em falar de questões hermenêuticas e em trazer informações que referendassem as opiniões exaradas na obra. Ficamos um tanto desapontados pois de fato não houve uma apreciação crítica da obra, mas, ao menos, a palestra foi boa. Ela afirmou que “o intérprete tem consigo todo o conjunto das suas experiências” e que dentro do processo hermenêutico cada intérprete está condicionado ao seu horizonte cultural, a um contexto específico diferente do contexto muitas vezes analisado. Desta forma o autor do livro que deu origem a esta palestra, no caso Humberto de Campos, estava condicionado a um contexto específico, vivenciado em sua última experiência física. Entretanto, não vemos isto como desculpa para os inúmeros erros encontrados na obra, mesmo com toda a condescendência possível. Ela finalizou sua alocução citando um conselho dado por Kardec em seu opúsculo Viagem Espírita em 1862, de que os Espíritas e o Espiritismo precisavam manter em foco estes três conselhos: a importância da unidade doutrinária, para que não comecem a surgir ‘seitas’ ou ‘correntes’ discrepantes dentro do Espiritismo, desfigurando-o como aconteceu com o Cristianismo, criando um Espiritismo à moda da casa. Ou seja, quando encontramos na Codificação que o perispírito é UM órgão do Espírito, entendendo-se perfeitamente o que isto quer dizer, e que ele não possui órgãos, como podemos aceitar obras que digam o contrário sem realizar uma verdadeira análise crítica como as que Kardec fazia? O outro ponto é a necessidade de organização do movimento, em torno da Doutrina. A autoridade dos ‘centros maiores’ ou mais respeitados deve ser apenas moral e não material. A questão da organização do Espiritismo sempre foi algo que preocupou muito o Codificador pelo fato de que, já à sua época, muitos queriam usar o Espiritismo como alavanca para obter facilidades financeiras, cargos políticos e inúmeros outros interesses menos edificantes. O último ponto é a importância de nos mantermos unidos em torno de um mesmo ideal, no intuito de que não surgissem cismas, nem divisões fundadas em interesses egoístas, individuais. Ver o texto com o nome de Cismas na segunda parte de Obras Póstumas.


Bom, minha alegria em ter participado do evento foi enorme. Pude, além disso, fazer novos amigos, trocar experiências, e assistir a boas palestras. Espero que a temática da Mostra Espírita 2011 seja a comemoração dos 150 anos de O Livro dos Médiuns e que palestrantes como Dora Incontri, Sergio Aleixo, Cosme Massi, Astrid Sayegh, Heloísa Pires - filha do saudoso J. Herculano Pires - possam ser convidados para abrilhantar ainda mais este evento. Que Deus abençoe a presidenta da FEP, a senhora Ednar Santos, a coordenação que cuida do evento, todos os que de forma direta ou indireta contribuem para a organização do mesmo e que o ano que vem chegue repleto de bons palestrantes, boas vibrações e com O Livro dos Médiuns tendo o destaque que merece!


Abraços e até a próxima.

Referências:


[1] http://analisesespiritas.blogspot.com/2008/10/um-rpido-olhar-sobre-xvii-mostra.html

[2] O Livro dos Médiuns, cap. XX, q. 9, p. 201, LAKE.

[3] http://analisesespiritas.blogspot.com/2010/05/o-valor-da-analise-critica.html

[4] Como informa Kardec no capítulo XXXII de O Livro dos Médiuns, esta palavra foi criada pelos Espíritos e significa “missão providencial dos médiuns”.


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Reflexões sobre o Espiritismo e o Espiritualismo

Conceitua-se o Espiritualismo como uma corrente filosófica que afirma a existência do espírito, considerando-o uma realidade independente da matéria e superior a ela. Tendo isto em vista, esclarece o codificador que, ”com efeito, o Espiritualismo é o oposto do materialismo; quem quer que acredite haver em si mesmo alguma coisa além da matéria é espiritualista; mas não segue daí que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações” [1].


José Herculano Pires defende que a origem das doutrinas espiritualistas está na mediunidade, pelo fato de ser ela inerente à natureza humana [6]. Até porque “sendo as manifestações [mediúnicas] a conseqüência do incessante contato dos Espíritos e dos homens, elas existiram em todos os tempos; estão na ordem das Leis da Natureza e nada têm de miraculoso, seja qual for a forma sob a qual se apresentam”. [5]


Sabemos como atestam as obras dos mais eminentes antropólogos e sociólogos que a crença na imortalidade da alma, em sua sobrevivência após a morte, nas comunicações com os Espíritos, e todas as suas conseqüências, perde-se na noite dos tempos. É por isso que encontramos indícios destas crenças na maioria dos documentos sagrados e profanos de todas as épocas.


“havia na antiguidade [...] alguns indivíduos que estavam em posse daquilo que consideravam uma ciência sagrada e da qual faziam mistério para os que consideravam profanos. Deveis compreender, com o que conheceis das leis que regem esses fenômenos, que eles recebiam apenas verdades esparsas no meio de um conjunto equívoco e na maioria das vezes alegórico” [2].


Sendo a mediunidade uma condição natural da espécie humana, compreende-se facilmente que as diferenças existentes entre as diversas escolas espiritualistas devem-se tanto à capacidade que tinham os homens de interpretarem e compreenderem estes fenômenos, quanto os interesses que motivavam estas interpretações. Na antiguidade, como nos indica a questão 628, alguns indivíduos julgando estar de posse de uma ciência sagrada julgaram por bem transmiti-los somente a quem considerassem aptos para apreender-lhes os princípios. Encontramos aqui a origem dos rituais de iniciação.


Todas as grandes religiões do passado tiveram duas faces. Uma aparente, outra oculta. É correto afirmarmos que debaixo de todos os símbolos materiais encontraremos sempre, e de forma oculta, um sentido profundo. Entretanto,


“a mediocridade dos homens não era apta a perceber as coisas do Espírito, e bem depressa as religiões perderam a sua simplicidade e pureza primitivas. As verdades que tinham sido ensinadas foram sufocadas sob os pormenores de uma interpretação grosseira e material. Abusou-se dos símbolos para chocar a imaginação dos crentes, e, muito breve a ideia máter ficou sepultada e esquecida sob eles” [10].


É exatamente na Idade Média que podemos sentir este abuso de forma mais chocante. Pois, foi a partir do momento em que assumiu a posição de religião do império romano que o Cristianismo - que seria representado pela então nascente Igreja Católica - começou a perder de vista os seus valores essenciais, e passou a incorporar elementos das religiões politeístas como forma de ampliar o seu poder de persuasão e o seu raio de ação.


Tanto que é neste período que se inicia a proibição, no mundo ocidental, de práticas antigas como a evocação dos Espíritos, a crença na reencarnação como lei natural, a crença na preexistência e sobrevivência da alma após a morte, bem como todas as conseqüências inerentes a estes ensinos. E uma das conseqüências para quem ousasse desobedecer a esta proibição era ser condenado às fogueiras da inquisição.


Todavia, é a partir de meados do século XIX que a humanidade seria novamente colocada frente a frente com os mesmos fenômenos tão bem conhecidos dos povos antigos. A princípio foram as mesas girantes que tanto nos EUA quanto na Europa, e mais particularmente na França, foram estudadas por homens de eminente saber, bem como, paradoxalmente tornaram-se o divertimento dos requintados salões parisienses. Quando surgiram as primeiras manifestações mediúnicas nos EUA formou-se um movimento que ficou conhecido como Moderno Espiritualismo. Figuras importantes do cenário mundial como Artur Conan Doyle, Victor Hugo, Epes Sargent, Alfred Russel Wallace, entre outros ficariam famosos por seus trabalhos em defesa da realidade dos fenômenos mediúnicos.


É esse o motivo pelo qual Allan Kardec criou as palavras Espírita e Espiritismo. Estes neologismos tinham a capacidade de exprimir, sem equívocos, as ideias relativas à Doutrina Espírita. E ainda disse que poderíamos nos designar, também, por espiritistas.


“Para as coisas novas necessitamos de palavras novas, pois assim o exige a clareza de linguagem, para evitarmos a confusão inerente aos múltiplos sentidos dos próprios vocábulos. As palavras espiritual, espiritualista, espiritualismo têm uma significação bem definida; dar-lhes outra, para aplicá-las à Doutrina dos Espíritos, seria multiplicar as causas já tão numerosas de anfibologia” [1].


Como podemos observar, Kardec desejava distinguir os adeptos da nova doutrina dos adeptos das diversas escolas espiritualistas existentes, como o Catolicismo, o Protestantismo, o Budismo, entre outras. Ele também alertou que se tivesse dado à Revista Espírita a qualificação de espiritualista não lhe teria, de modo algum, especificado o objeto, pois ele poderia não dizer uma palavra sobre os Espíritos e até mesmo combatê-los sem deixar de atender ao seu título.


“Fossem os Espíritos uma quimera e seria ainda útil existirem termos especiais para aquilo que lhes concerne, porque são necessárias palavras para as ideias falsas como para as ideias verdadeiras” [3].


Neste momento nos defrontamos com um problema complexo e que tem dado margem a muitas confusões. É que os fatos mediúnicos, conhecidos de todos os tempos, são denominados por Kardec como fatos espíritas, mas, eles não são Espiritismo. Conforme elucida J. Herculano Pires “[...] o Espiritismo se serve dos fatos mediúnicos como de uma matéria-prima, para a elaboração de seus princípios, ou como de uma força natural, que aproveita de maneira racional” [7].


É por isso que para ele “o Espiritismo representa o momento em que o Espiritualismo, superando as fases mágicas do seu desenvolvimento, atinge o plano da razão, define-se num esquema cartesiano de ‘ideias claras e distintas’. É a isso que chamamos a estrela que saiu da nebulosa” [8]. É isto que Kardec deseja afirmar quando escreve que a Doutrina Espírita “como generalidade liga-se ao Espiritualismo, do qual apresenta uma das fases” [1].


Foi justamente por utilizar o método experimental para elaborar a doutrina que, como afirma o Codificador, o Espiritismo pôde “enfrentar o materialismo no seu próprio terreno e com as suas mesmas armas”. Desta forma, é o Espiritismo, como doutrina moderna e imbuída do espírito científico, o responsável por devolver ao Espiritualismo o prestígio perdido ante o avanço incontinenti das Ciências.


Este é um dos maiores motivos pelos quais devemos tomar muito cuidado com todas estas “verdades novas” que tem surgido através de médiuns, palestrantes e dirigentes espíritas vaidosos, que assumem ares de reveladores do novo mundo, ignorando que “o Espiritismo está certo ao condenar a formulação de teorias pessoais [...] e encarecer a necessidade da metodologia científica, para verificação da verdade espiritual” [9].


Diante de tudo o que escrevemos, fica-nos a esperança de ter auxiliado a que não seja mais possível confundir-se o Espiritismo com qualquer escola espiritualista como as diversas que podemos encontrar neste nosso Brasil e no mundo. E para finalizar, a palavra abalizada do Codificador: “[...] o que testemunhamos, hoje, portanto, não é uma descoberta moderna; é o despertar da Antiguidade, desembaraçada do envoltório místico que engendrou as superstições; da Antiguidade esclarecida pela civilização e pelo progresso nas coisas positivas” [4].



Referência bibliográfica:


[1] Kardec, Alan. O Livro dos Espíritos. Introdução, item I. Ed. LAKE.

[2] Idem, ibidem. Q. 628.

[3] Idem. O que é o Espiritismo. Segundo diálogo – o céptico, p.24. Ed. IDE.

[4] Idem. Revista Espírita, jan. de 1858, p. 24, FEB.

[5] Idem, ibidem. Abril de 1869, p. 151

[6] Pires, J. H. O Espírito e o Tempo. 1ª Parte – Fase Pré-Histórica. Ed. Paidéia.

[7] Idem, ibidem. P. 17.

[8] Idem, ibidem. p. 106.

[9] Idem, ibidem. p.105.

[10] Denis, Leon. Depois da Morte. P. 25. FEB.


Texto baseado em palestra dada no dia 05 de setembro de 2010 no C.E. Paulo de Tarso, em afogados.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Informando:

Meus caríssimos amigos e leitores,

estou passando pra informar que por motivos de ordem pessoal não estou conseguindo terminar três textos que já deveriam ter sido publicados. São questões espinhosas e que pedem minha completa atenção, me impedindo assim de continuar a divulgar através dos textos o que aprendo com minhas leituras. Ainda tem o fato de que estou com minha avó na UTI e, por isso, preciso dar uma atenção à meus familiares que sofrem mais do que eu com essa situação.

Mas, aviso que como tudo na vida estes problemas são também temporários e que em breve estarei retornando à normalidade.

Também queria informar que este tempo é importante pelo fato de que também preciso estudar pra poder escrever, né?!! :)

Então, recado dado, aguardo vocês em breve para comentarem os próximos textos.

Um forte abraço e fiquem com Deus!!!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

RESPONDA ESPIRITISMO!


Mensagem exibida no blog Espiritismo Comentado [http://espiritismocomentado.blogspot.com/] e em Observador Espírita [http://observadorespirita.blogspot.com/] e que reflete a importância de nos definirmos corretamente, não permitindo que mais confusões sejam propagadas como verdades.

Como não existe "Kardecismo", pelo simples fato da Doutrina Espírita não ser de Kardec, o que precisamos é esclarecer e não confundir!

Um texto escrito pelo Jáder Sampaio [Qual é o Senso do Censo? em Espiritismo Comentado] é bastante oportuno para avaliarmos o tamanho do problema que gerou este neologismo que deforma a compreensão do 'ser espírita'.

Então, quando um representante do IBGE bater na sua porta, responda que é Espírita e adepto do Espiritismo! E, que também pode ser Espiritista, no máximo, mas, NUNCA 'kardecista'!

Sem mais, um forte abraço!

Anderson Santiago

terça-feira, 6 de julho de 2010

Os Médiuns são os Intérpretes dos Espíritos - II

Como vimos na primeira parte, os Espíritos se comunicam pelo pensamento e a necessidade de vesti-los com palavras é nossa. Além disso, a depender do grau de desmaterialização do Espírito ele pode achar que do outro lado ainda precisa 'verbalizar' seu pensamento para ser entendido, o que não acontece com os que compreendem o mundo em que estão. Quanto à palavra passividade, esta também deve ser entendida conforme a explicação dada, além de ter a questão da influência do médium, que deve ser mais bem entendida.

Depreendemos de tudo o que foi dito que a responsabilidade do médium e o seu envolvimento no processo da comunicação são enormes, pois é ele quem “veste” o pensamento dos Espíritos e os converte em sinais ou códigos lingüísticos que permitam um perfeito entendimento da mensagem que se deseja passar. É por isso, também, que apesar de diversos Espíritos se comunicarem através de um médium, os ditados recebidos terão sempre o cunho pessoal dele, tanto na forma quanto no estilo.

E quando se trata de enfatizar a importância de uma mente bem arrumada e bem-provida de conhecimentos que resulte em facilidade para a comunicação, os Espíritos informam que:

“[...] segundo já foi dito em anterior instrução, vosso cérebro está frequentemente numa desordem inextricável, sendo para nós tão difícil quanto penoso mover-nos no Dédalo dos vossos pensamentos”. [2]

É justamente por este fato que quando os Espíritos encontram médiuns cujo cérebro está cheio de conhecimentos adquiridos em sua atual encarnação, e os seus arquivos mentais repletos de conhecimentos anteriores, latentes, e próprios a facilitar as comunicações, é óbvio concluir que preferirão servir-se dele, cujo processo de comunicação será mais fácil, do que servir-se de um de inteligência limitada e com conhecimentos anteriores escassos.

Nesse caso, encontram os Espíritos no cérebro do médium as palavras adequadas e que correspondem precisamente ao pensamento deles, independente dele ser intuitivo, semimecânico ou mecânico. Depreende-se daí que eles possuem maior preferência por médiuns flexíveis e experimentados. Até porque, o perispírito deles agindo sobre o de quem mediunizam, nada mais terão a fazer que impulsionar a mão para escrever, ou o centro nervoso correspondente ao órgão que deseje manipular.

Quando são obrigados a se servirem de médiuns pouco adiantados a transmissão do pensamento se torna demorada, pois precisam recorrer a formas imperfeitas de expressão, decompondo seus pensamentos e ditando palavra, por palavra, em um trabalho bastante penoso. É um trabalho semelhante ao de comunicar-se por meio de pancadas, onde indicam letra por letra até formarem as frases que traduzem o pensamento que desejam transmitir.

Recorremos neste ponto ao texto do Hermínio Miranda quando nos convida a refletir se já pensamos “em ditar um texto em inglês, por exemplo, a uma pessoa inculta, que mal fale português e que, ainda por cima, seja analfabeta”? Esta é, nestes casos, a dificuldade dos Espíritos. [7]

Essa a razão da felicidade deles quando encontram médiuns suficientemente aparelhados, “munidos de elementos mentais” que podem ser prontamente utilizados. E por este mesmo motivo explica-se a preferência por médiuns experimentados, que, além do conhecimento prático possuam os conhecimentos necessários para vestir seus pensamentos. O codificador justifica esta preferência quando diz que “se o médium não souber ler nem escrever, não dispõe nem mesmo das letras em seu cérebro. É então necessário que o Espírito lhe conduza a mão, como se faria a uma criança. Nesse caso há uma dificuldade material ainda maior a ser vencida”. [3]

Esclarecem os Espíritos, também, que embora o pensamento não seja em absoluto do médium, que o assunto não esteja presente em suas preocupações habituais, que o que eles falem não venha dele de forma alguma, o médium não deixará de exercer sua influência na forma, dando qualidades e propriedades características da sua individualidade.

Resulta de tudo o que dissemos, salvo raras exceções, que tanto do médium quanto dos meios que dispõem para transmitir o pensamento dos Espíritos, este pensamento ressente-se da imperfeição destes meios. É assim que o homem inculto ou o ex-escravo, mesmo analfabeto, poderão dizer as mais belas coisas, exprimir os mais elevados pensamentos filosóficos, científicos ou morais, falando como ex-escravo, pois, como sabemos para os Espíritos o pensamento está acima de tudo.

Dentro deste processo de captação, processamento e conversão da comunicação mediúnica, desde o pensamento do Espírito comunicante até o conhecimento do destinatário encarnado, é fácil perceber que o médium é o elo fraco da corrente.

Ressalte-se que é justamente através do mecanismo da comunicação mediúnica que perceberemos que a educação do médium não é exatamente como médium, mas como ser humano. Pois antes de ser um bom médium ele deve procurar ser uma boa pessoa. É exatamente isto o que encontramos na questão proposta por Kardec, sobre se o desenvolvimento da mediunidade anda de mãos dadas com o progresso moral do médium, ao que os Espíritos respondem:

“Não. A faculdade propriamente dita é orgânica, e portanto independente da moral. Mas já não acontece o mesmo com o seu uso, que pode ser bom ou mal, segundo as qualidades do médium”. [4]

Neste ponto observa-se a importância da influência moral do médium nas comunicações. Como ressalta Erasto, os médiuns somente atraem Espíritos da mesma natureza: se são sérios atrairão Espíritos sérios, se são levianos atrairão levianos. “Por isso é que [quando não são sérios] suas comunicações se mostram cheias de banalidades, frivolidades, idéias truncadas e, não raro, muito heterodoxas, espiriticamente falando”. [5] E quando o médium não é sério, ou é dado misticismos e superstições, um exame severo e escrupuloso se faz indispensável pelo simples fato de que em meio a coisas aproveitáveis, Espíritos hipócritas, sagazes, pseudossábios mesmo, insinuam com calculada perfídia e assustadora habilidade, fatos inventados, comentários mentirosos a fim de iludir a boa-fé daqueles que se dignam a dar-lhes atenção.

Entretanto, Erasto reafirma que “[...] onde, porém, a influência moral do médium se faz realmente sentir, é quando ele substitui, pelas que lhe são pessoais, as idéias que os Espíritos se esforçam por lhe sugerir e também quando tira da sua imaginação teorias fantásticas que, de boa-fé, julga resultarem de uma comunicação intuitiva”. [6]

Este é o objetivo maior da ‘educação mediúnica’, para ajudar o médium iniciante ou não, a analisar com clareza aquilo que é seu e aquilo que é do comunicante, e, principalmente, para permitir que ele expresse com o máximo de fidelidade o pensamento alheio. Ajunto a isto, também, aquilo que afirmei no meu texto Sobre o Estudo Comparado das Comunicações dos Espíritos.

O que fica de tudo o que foi escrito, é que a responsabilidade do médium é imensa, e que, como verdadeiro intérprete dos Espíritos, seu papel não deve ser passivo, em momento algum. E é justamente pelo fato de os Espíritos possuírem somente a linguagem do pensamento, e não a articulada, por meio de palavras, que transmitem aos médiuns seus pensamentos e deixam a cargo destes vesti-los corretamente, não substituindo, os médiuns, as ideias dos Espíritos pelas suas, evitando, assim, a desnaturação da mensagem. E mesmo compreendendo que a mediunidade independe da inteligência ou condição moral, o mesmo não se dá com o seu uso, podendo ser bom ou mau, de acordo com as qualidades dos médiuns.

Até porque, nestes tempos de renovação social, a sua missão é especial: eles são como árvores que devem distribuir o alimento espiritual aos seus irmãos, e por isso multiplicam-se, permitindo que o alimento seja abundante. Ao espalhar-se por toda a parte, em todos os países e classes sociais, além de não permitirem que haja deserdados ainda provam, aos homens, que todos são chamados. [1]

Bons estudos!

Referências:

[1] Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de J. Herculano Pires, 61ª edição. São Paulo – LAKE, 2006, cap. XIX, item 10, p. 247.

[2] _____________. O Livro dos Médiuns. Tradução da 2ª edição francesa por J. Herculano Pires. São Paulo – LAKE, 2004, cap. XIX, Item 225, p. 196.

[3] Idem, ibidem. Cap. XIX, p. 198.

[4] Idem, ibidem. Cap. XX, item 226, p. 199.

[5] ______________. Revista Espírita. FEB, agosto de 1861, p. 356.

[6] Idem, ibidem. p. 357

[7] Miranda, Hermínio C. Diversidade dos Carismas. 4ª Ed. São Paulo, SP – Lachâtre, 2006, Cap. XVI, p. 389.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Os Médiuns são os Intérpretes dos Espíritos - I

“Os médiuns são os intérpretes dos Espíritos. Suprem o organismo material que falta a estes, para nos transmitirem as suas instruções. Eis porque são dotados de faculdades para este fim”. (Allan Kardec, [1])

Sabe-se que o intérprete é o indivíduo que serve como tradutor entre duas pessoas que não falam a mesma língua e que, a depender do seu conhecimento mais ou menos profundo acerca das duas línguas, sua tradução será mais ou menos fiel ao pensamento emitido por cada uma das duas pessoas.

O médium encontra-se nesta posição porque, estando ligado ao corpo que serve para a comunicação, e possuindo as ferramentas necessárias para o processo de captação, processamento e transmissão do pensamento dos comunicantes, pode transmiti-los convertendo-os, em palavra escrita ou falada.

Cabe definir antes de qualquer coisa que a palavra passivo que usaremos pode ser entendida de duas maneiras: no sentido de ficar indiferente ao que se passa com ele e no sentido de não deixar que seus pensamentos, preconceitos e atavismos pessoais interfiram na comunicação de que se faz intérprete. Esta explicação é importantíssima para que se entenda qual a interpretação que se deva fazer deste vocábulo quando usado neste artigo. Para o sentido de inerte, usaremos o SER passivo e no sentido de não interferir na comunicação, usaremos o ESTAR passivo ou o DAR passividade.

Podemos observar no capítulo XIX de O Livro dos Médiuns que, como informam Erasto e Timóteo, dois lúcidos e experimentados instrutores da espiritualidade, conforme opinião de Kardec, para as comunicações que os Espíritos mantêm uns com os outros, ou conosco, diretamente, elas realizam-se unicamente pela irradiação do pensamento.

Ainda segundo Kardec “o Espírito comunicante compreende todas as línguas [...], pois as línguas são formas de expressão do pensamento e o Espírito compreende pelo pensamento”. ([2] Ver a Revista Espírita de outubro de 1864, Ed. FEB, página 407)

E é justamente isto que afirmam os dois instrutores já citados, pois: “[...] os Espíritos não têm necessidades de vestir os seus pensamentos com palavras. Eles os percebem e os transmitem naturalmente entre si. Os seres encarnados pelo contrário, só podem comunicar-se pelo pensamento traduzido em palavras. Enquanto a letra, a palavra, o substantivo, o verbo, a frase, enfim, vos são necessários para percepção, mesmo mental, nenhuma forma visível ou tangível é necessária para nós”. ([3]; procurar na Revista Espírita de maio de 1859, uma nota à pergunta 43, na p. 180, Ed. FEB)

Aqui nota-se claramente a importância do médium como intérprete dos Espíritos, suprindo nestes o organismo material que lhes falta para transmitirem seus despachos. Muito interessante também é notar que os Espíritos comunicam-se pelo pensamento puro, e não precisam “falar”, como o fazemos aqui, enquanto encarnados, o que nos dá a entender que isto é um verdadeiro ‘atavismo’, ou seja, resquícios da necessidade de se comunicar através da fala que ainda permanece com os Espíritos comunicantes.

Cabe aqui, ainda, uma pequena reflexão sobre este ponto: Hermínio C. Miranda, notável escritor Espírita, em um de seus magníficos livros, o Diversidade dos Carismas [6], comenta que Regina (médium e personagem principal utilizada no ‘enredo’ deste livro) observa que nos livros de André Luiz todo mundo fala. Miranda entende que existem duas razões principais para que isto se dê. Primeira: os livros do André são narrativas dramatizadas, escritas em linguagem didática, na qual o pensamento já aparece convertido em palavras. Segunda: os diálogos reproduzidos pelo autor espiritual não são comunicações mediúnicas, mas conversações entre espíritos desencarnados.

Foi por isso que Kardec enfatizou o cuidado que devemos ter ao interpretar as expressões usadas pelos Espíritos, bem como seus ditados, nunca os tomando ao pé da letra para não nos expormos a grandes decepções. É por isso que precisamos aprofundar sempre o sentido de suas palavras e expressões quando apresentam a menor ambigüidade. Recomendação esta endossada pelos próprios Espíritos.

É por este motivo que ao dirigir-se ao Espírito encarnado no médium, como informaram os instrutores da Codificação a Kardec, eles não o fazem em francês, português, grego ou latim, mas pela “língua universal que é a do pensamento”. Importante esclarecimento que os Espíritos fizeram questão de reforçar.

Hermínio C. Miranda, no mesmo livro, comentando acerca deste assunto afirma que é “exatamente por isso, ou seja, por não se comunicarem por meio de palavras, eles transmitem aos médiuns seus pensamentos e deixam a cargo do instrumento vesti-los, obviamente, na língua própria do sensitivo”. [7]

Este raciocínio nos leva diretamente a outro problema: para traduzir as suas ideias numa linguagem articulada, transmissível através de algum código lingüístico, ele utilizará as palavras e conhecimentos disponíveis no vocabulário do médium. Ou seja: quando querem ditar alguma mensagem, espontaneamente ou não, eles agem sobre o cérebro, nos “arquivos mentais” deles, onde juntam aos seus materiais os elementos necessários fornecidos pelos médiuns. E tudo isto sem que o médium perceba. Essa é também a opinião de Kardec, quando afirma que “[...] o Espírito não se serve das ideias do médium, mas dos materiais necessários para exprimir os seus próprios pensamentos, existentes no cérebro do médium, e de que, quanto mais rico for o cérebro, mais fácil se torna a comunicação”. [5]

De acordo com o exemplo dado pelos dois instrutores desencarnados é como se eles retirassem da bolsa do médium o seu dinheiro e o dispusessem na ordem que mais lhe agradassem para melhor expressar uma soma, ou, no caso, um pensamento.

Tentando melhorar a compreensão do fenômeno eles explicam que se dá o mesmo quando olhamos diversos lugares com óculos coloridos, tendo lentes azuis, verdes ou brancas: embora os objetos e lugares pertençam ao mesmo trecho, embora com aspectos distintos, eles aparecerão sempre com a coloração dada pelas lentes.

É por isso que quando Kardec pergunta se o Espírito do médium exerce alguma influência sobre as comunicações que fluem por seu intermédio, os Espíritos respondem de maneira taxativa:

“Sim, pois se não há afinidade entre eles, o Espírito do médium pode alterar as respostas, adaptando-as às suas próprias ideias e às suas tendências. Mas, não exerce nenhuma influência sobre os Espíritos comunicantes. É apenas um mau intérprete”. [4]

O bom médium, desta forma, é aquele que transmite tão fielmente quanto possa o pensamento do comunicante, interferindo o mínimo que seja (como faz o intérprete), naquilo que este tem a dizer. Segundo os Espíritos, este é o motivo pela preferência por certos médiuns, pois eles procuram intérpretes que melhor simpatizem com eles e que transmitam com muito maior precisão seus pensamentos.

Sem que haja simpatia entre eles, uma verdadeira afinidade fluídica, o médium será sempre um entrave, oferecendo resistência e tornando-se um intérprete de má vontade e quase sempre infiel. Por isso ele jamais é passivo, ou melhor, ele só é passivo quando não mistura suas ideias com as do comunicante, sendo fiel ao trabalho de tradução mesmo que discorde do que está sendo dito. É um verdadeiro treinamento disciplinar.

Hermínio Miranda reitera, ainda, que não há fenômeno mediúnico sem a participação anímica. “O cuidado que se torna necessário ter na dinâmica do fenômeno não é colocar o médium sob suspeita [...], e sim, ajudá-lo a ser um instrumento fiel, traduzindo em palavras adequadas o pensamento que lhe está sendo transmitido sem palavras pelos Espíritos comunicantes” [7].

Até porque a alma do médium pode se comunicar como a de qualquer pessoa quando goza de certo grau de liberdade. E principalmente: é oportuno enfatizar que em nosso contexto terreno, a manifestação de seres desencarnados, seja em fenômenos de efeitos físicos ou inteligentes, não dispensa a atuação do médium.

Referências:

[1] Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de J. Herculano Pires,
[2] _____________. O Livro dos Médiuns. Tradução da 2ª edição francesa por J. Herculano Pires. São Paulo – LAKE, 2004, cap. XIX, item 224, p. 192
[3] Idem, ibidem. Cap. XIX, p. 197.
[4] Idem, ibidem. Cap. XIX, q. 7, p. 188.
[5] Idem, ibidem. Cap. XIX, p.198.
[6] Miranda, Hermínio C. Diversidade dos Carismas. 4ª Ed. São Paulo, SP – Lachâtre, 2006, cap. XVI, p. 385.
[7] Idem, ibidem. Cap. III, p. 96.

Nota: esta é a primeira parte deste assunto que acho interessantíssimo e importantíssimo. A segunda parte, e última, será postada posteriormente.