Análises Espíritas
"Antes de negar, é prudente estudar e observar. Para julgar uma coisa é preciso conhecê-la. A crítica só é permissível ao que fala do que sabe. Que seria dito de um homem que, ignorando música, criticasse uma ópera? Ignorando as primeiras noções de literatura, criticasse uma obra literária?" Autor: Allan Kardec Fonte: Revista Espírita, dezembro de 1862 – O Espiritismo em Rochefort.
domingo, 4 de março de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Caríssimos, dentro do importantíssimo tema que é o Magnetismo é bom saber que existe um evento que tem como meta desenvolve-lo, anasá-lo e reanalisá-lo além de colocá-lo dentro das perspectivas científicas atuais. Não sei à quantas andam as pesquisas do Jacob, por ter me afastado dos trabalhos 'magnéticos' em virtude da vida acadêmica, mas, pela que já tinha visto, está longe de perder sua força.
Este ano, o evento ocorre em Pompano Beach, Flórida - EUA. Para quem tiver disponibilidade e interesse, vale a pena inscrever-se e viajar até lá para participar do evento. Para os trabalhadores que usufruem de condições, é uma obrigação, ao menos, refletir sobre a possibilidade. Para nós outros, mortais sem condições financeiras, nem de tempo, nem profissionais para participar, cabe esperar que o evento seja transmitido pela internet ou que os vídeos estejam disponíveis no Youtube.
Até lá, que os bons espíritos apoiem este importantíssimo evento.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Máximas de Kardec
Após tanto tempo sem postar, retorno com um trecho escrito por Kardec na obra O Que é o Espiritismo. É um trecho interessante e que deixo como objeto de reflexão para cada um de nós que fazemos o movimento espírita. Principalmente neste tempo onde informações tendenciosas, ou sem fundamentação lógica, quiçá, doutrinária sobre a ‘transição planetária’ e outros assuntos invadem a praia espiritista. Ainda tem aquela boa e velha preguiça de realizar uma análise crítica sobre tudo o que vem dos Espíritos [e dos encarnados também!!!]. Kardec, COMO SEMPRE é um oásis perdido em meio a uma imensidão de livros meia-boca, com qualidade questionável, lógica duvidosa e fundamentação doutrinária beirando a ignorância.
Como não pudemos escrever um texto especial para iniciar o ano, desejamos que este trecho seja um belo pontapé inicial nas análises a serem feitas este ano. Que Deus abençoe a todos nós e que os bons espíritos sigam nos inspirando.
Boa leitura e até a próxima!
"Entre os adeptos do Espiritismo, encontramos entusiastas e exaltados, como em todas as coisas; são esses, geralmente, os piores propagandistas, porque se desconfia de sua facilidade de aceitar tudo sem exame aprofundado. O espírita esclarecido se protege do entusiasmo que cega, observa tudo friamente e com calma: é esse o meio de não ser vítima das ilusões e dos mistificadores. Fora a questão da boa-fé, o observador iniciante deve, antes de tudo, levar em consideração a seriedade do caráter daqueles a quem se dirige".
Fonte: Introdução ao Espiritismo. Organização e notas J. Herculano Pires. Textos de Allan Kardec. Editora Paidéia, p. 251.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Analisando o texto “EMMANUELISMO”?!
Foi dito em artigo anterior que todo adepto do Espiritismo deve ser bastante cuidadoso ao emitir uma opinião sobre algum princípio espírita, notadamente quando tenta oferecer uma complementação ou o relaciona com alguma área de pesquisa científica atual como a Física Quântica.
O mesmo pode ser dito sobre tudo o que vem dos Espíritos. Vários artigos já foram publicados [1] sobre este assunto e recomendo a leitura dos mesmos. O objetivo deste artigo é analisar a mensagem psicografada por Carlos Baccelli de autoria do Espírito que se intitula como Inácio Ferreira. O título do texto é o mesmo deste artigo e pode ser lido no blog Mediunidade na Internet [2].
O autor espiritual inicia seu texto reclamando que de quando em quando são publicadas em sites, blogs e periódicos espíritas, críticas sobre Emmanuel e sua obra que quase sempre descambam para o aspecto pessoal, no qual nem os desencarnados são poupados. É muito curioso observar ele reclamar da crítica, pois é muito natural que após a publicação de um texto surjam outros emitindo pareceres, sejam eles elogiosos, sejam eles apontando os equívocos, os exageros, entre outras coisas. Cabe analisar o porquê dele não gostar da crítica. Acaso ela não serve para nada? Aconselho aqui a leitura do artigo O Valor da Análise Crítica para maior aprofundamento quanto a este tema. Sobre isto, já afirmava Kardec que
“Os Espíritos bons jamais se ofendem [com as críticas], pois eles mesmos nos aconselham a proceder assim e nada têm a temer do exame. Somente os maus se melindram e procuram dissuadir-nos, porque têm tudo a perder. E por esta mesma atitude provam o que são”.
E que
“A linguagem dos Espíritos superiores é sempre digna, elevada, nobre, sem qualquer mistura de trivialidade. Eles dizem tudo com simplicidade e modéstia, nunca se vangloriam, não fazem jamais exibição do seu saber nem de sua posição entre os demais. A linguagem dos Espíritos inferiores ou vulgares é sempre algum reflexo das paixões humanas. Toda expressão que revele baixeza, auto-suficiência, arrogância, fanfarronice, mordacidade é sinal característico de inferioridade. E de mistificação, se o Espírito se apresenta com um nome venerado” [3].
O que podemos inferir destas citações? Primeiro, que ele não é superior. Obviamente, se formos analisá-lo conforme nos orienta O Livro dos Médiuns, logo perceberemos que ele está situado entre a classe dos Espíritos inferiores e que os seus textos necessitam de extrema cautela ao serem lidos. Segundo, e não menos importante: se ele está no mesmo patamar que aqueles a quem ele deseja censurar, com que autoridade ele deseja avaliar se os críticos do Emmanuel têm gabarito moral e/ou doutrinário para emitirem pareceres sobre a sua obra? E ainda cabe mais um questionamento: como saber se este Inácio é aquele mesmo Inácio Ferreira, médico e a quem devemos respeitar a memória por tudo o que fez? Já houve alguma tentativa de realizar alguma forma de investigação que permitisse estabelecer a identidade deste Espírito como sendo o do médico desencarnado? Não é nossa intenção colocar em dúvida o trabalho do Baccelli, entretanto, questionamentos como esses não devem, nem deveriam, ser vistos como absurdos para quem conhece as dificuldades inerentes relacionadas a toda fenomenologia mediúnica. Em seguida ele comete um exagero difícil de deixar passar despercebido: afirma ser Emmanuel um dos integrantes da falange do Espírito da Verdade! Já pesquisamos um bocado e não encontramos justificativas para esta afirmação a não ser o desejo de fazer de uma opinião uma verdade (sem verificação). Embora exista uma mensagem em O Evangelho segundo o Espiritismo cujo autor assina como Emmanuel, como provar que este é aquele? Fundamentado em quais informações? Enxergo aí, e isto é uma hipótese, uma tentativa forçada de tentar legitimar toda a obra do Emmanuel, não através do que ela possa representar o que seria muito louvável, mas, através de uma pretensa ‘autoridade’ que ela possa adquirir com esta ligação com a falange do Espírito Verdade. Este é o tipo de informação que se encaixa na orientação do Codificador de que
“[...] Para tudo o que está fora do ensino exclusivamente moral, as revelações que alguém possa obter são de caráter individual, sem autenticidade, e devem ser consideradas como opiniões pessoais deste ou daquele Espírito, sendo imprudência aceitá-las e propagá-las levianamente como verdades absolutas” [4].
De acordo com a citação acima, seria imprudência, senão irresponsabilidade, divulgar como verdade verificada informações deste teor. Irresponsabilidade também é supor que todos os que criticarem Emmanuel ou qualquer Espírito que tenha psicografado através do Chico são necessariamente desprovidos de conhecimento doutrinário ou de autoridade moral. E é esta a atitude do Espírito em sua mensagem como já dissemos mais acima. Diferente é quando o ofensor não apresenta argumentos, somente agressões. Entretanto, estes são uma minoria, embora suas opiniões não devam ser ignoradas pelo simples fato de que podem nos apontar caminhos novos, quando bem analisadas. Já diria Santo Agostinho [ao falar sobre o autoconhecimento] que a opinião dos que são contra nós são desprovidas do desejo de nos agradar, portanto, não tem interesse em mascarar a verdade sob uma falsa noção de discrição e ‘sentimento caritativo’ e por isso, quando bem analisadas, elas podem ser valiosíssimas.
Da mesma forma querer atribuir ao Emmanuel a responsabilidade por intermediar o pensamento do Cristo e sem o qual o Espiritismo não teria se “caracterizado como o consolador prometido por Jesus, porque, evidentemente, na época em que viveu, Kardec teve que agir com a maior prudência a fim de que as suas obras não fossem censuradas pela Igreja” é um absurdo sem tamanho. Quer dizer que Jesus só tinha este Espírito em condições de servir de intermediário para transmitir seus pensamentos? Em lugar algum desta nossa vasta Terra se encontrariam outro médium e equipe espiritual em condições de fazer o mesmo? Este é um absurdo sem tamanho!
Como se pode ver, o audacioso “repórter do além” consegue a proeza de exagerar o papel do protetor do Chico dentro do movimento espírita e ainda distorcer a história. Sobre a Doutrina Espírita não ter se “caracterizado como consolador prometido”, é justamente o contrário o que encontramos em O Evangelho segundo o Espiritismo:
“Assim realiza o Espiritismo o que Jesus disse do consolador prometido: conhecimento das coisas, que faz o homem saber de onde vem, para onde vai e porque está na Terra, lembrança dos verdadeiros princípios da lei de Deus, e consolação pela fé e pela esperança” [5].
Convenhamos que isto seja muito mais do que se ‘caracterizar’ como consolador prometido! E todas as outras afirmações contidas em O Evangelho segundo o Espiritismo, focando apenas uma das mais de quinze obras que formam a base fundamental dos ensinos espíritas, afirmando que o Espiritismo cumpria a promessa do Cristo como Consolador? Será que o Inácio não tem tempo de estudar as obras fundamentais do Espiritismo no mundo espiritual? E as Revistas Espíritas, será que ele nunca as estudou? Pois para afirmar que Kardec teve de agir com prudência para que suas obras não fossem censuradas pela Igreja é ignorar o Auto de fé de Barcelona conforme relato encontrado na Revista Espírita de 1861, no mês de novembro. E as perseguições sofridas pelo codificador nos anos posteriores, tanto pelos clérigos quanto pela imprensa bem como pelos ‘cientistas’ da época, como nos contam as páginas da Revista? Cabe citar ainda o terceiro diálogo do livro O que é o Espiritismo onde Kardec debate com um Padre. Vale à pena reler aquele diálogo para comparar com o que o Inácio afirma ao se referir à prudência do codificador, ou se ele não está usando de retórica para beneficiar o Emmanuel e elevá-lo ao patamar de autoridade espiritual inquestionável.
O que se pode observar é que o ‘Dr. Inácio’ precisa estudar um pouco mais o Espiritismo e sua história e deixar desse desejo louco de “pô-los (os críticos de Emmanuel) em seu devido lugar, a fim de que se recolham à mediocridade que lhes é própria”. Até porque, nitidamente, este desejo reflete a inferioridade moral em que ainda se encontra, não merecendo a sua opinião o peso que tenta dar-lhe. Pois uma coisa é o desejo de defender a verdade, outra coisa é uma louca vaidade de querer mostrar que os outros estão errados e ele está certo...
Em outro ponto do seu texto não se sabe o que é pior: ele afirmar que Emmanuel reescreveu o Evangelho versículo a versículo, como o quinto evangelista que é ou afirmar que a obra mediúnica Paulo e Estêvão é a “mais fiel e completa história do Cristianismo nascente”... O que sobrou de prudência e sabedoria em Kardec faltou neste Espírito que se intitula ‘jornalista do além’! Onde estão os estudos históricos e os exames comparados que fundamentem esta opinião? Aonde o consenso universal para demonstrar esta autoridade do Emmanuel como ‘quinto evangelista’? Pois o único a afirmar isto é ele, Inácio Ferreira! O pior, é claro, é ver espíritas repetindo este discurso como se ele representasse a absoluta verdade. E convenhamos que um estudo de tal envergadura não seria ignorado com facilidade, principalmente se bem feito!
Contudo, ele não perdeu a chance de tentar transformar opiniões pessoais em lei! E usa de um expediente melodramático ao se desvalorizar [vide o penúltimo parágrafo do seu texto] com o intuito de comover o leitor e fazê-lo aceitar muito mais facilmente as suas idéias. Em outra parte do seu texto ele defende a tese de que Chico Xavier seria a reencarnação de Kardec. Particularmente, analisando o perfil psicológico dos dois, tamanha é a discrepância entre ambos que não consigo imaginar qual a razão de existir quem defenda esta opinião. Basta analisar a vida dos dois, seus comportamentos, suas posturas diante dos ataques dos seus adversários, dos problemas existenciais. Uma análise como esta não tem o objetivo de desvalorizar um e elevar o outro, mas, destacar que são duas personalidades distintas. E como sabemos que a discussão além de longa é polêmica, pois as razões nunca são suficientes para encerrar o assunto, neste momento basta dizer apenas que não vejo lógica nesta opinião. Aqui, até que se prove o contrário, o único e mais forte argumento é a especulação vazia. Ah! E ainda vale destacar que ele acusa os críticos de Emmanuel de agirem ‘sorrateiramente’ para contestar a tese acima. É oportuno ressaltar que quem contesta esta tese não age às escondidas, mas, ‘mostra a cara’ e apresenta os seus argumentos, muito diferente deste Espírito que fica a todo o momento jogando o seu veneno disfarçado de “defesa da verdade”. Isto fica evidente quando ele declara: “No momento, é tudo o que posso fazer por vocês, sem me importar se venham, ou não, integrar a lista daqueles que, igualmente, têm me difamado”. Convenhamos que não necessariamente quem faça uma crítica dos textos deste suposto Inácio Ferreira deverá ‘difamá-lo’. Mais uma vez, ele aqui abandona a argumentação racional e parte para a apelação emocional.
É por estas e outras que Kardec adverte que não devemos publicar tudo o que vêm dos Espíritos, ou, quando o fizermos, que seja com comentários e notas explicativas fundamentadas nos princípios espíritas. Pois nem sempre podemos ser juízes em causa própria – principalmente quando se trata de analisar algo que nós psicografamos. Existem muitos médiuns que se melindram com qualquer observação crítica feita sobre um material que, absolutamente, não é de sua autoria. É por isso que o médium deve cultivar a humildade, pois não ignorará nunca uma observação feita com base na lógica, no bom senso e fundada numa análise crítica. O médium orgulhoso, ao contrário, repelirá sistematicamente qualquer objeção crítica e se afastará de todos aqueles que não tiverem somente palavras elogiosas, mesmo que irrefletidas e extremamente superficiais, feitas mais para agradar do que para opinar. Não à toa, o codificador nos alerta, quanto ao que vem do mundo espiritual que
“Os Espíritos que formam a população invisível da Terra são de fato o reflexo do mundo corporal; encontramos neles os mesmos defeitos e as mesmas virtudes; há entre eles sábios, ignorantes e falsos sábios, prudentes e estouvados, filósofos, polemistas e sistemáticos; todos com seus antigos preconceitos e opiniões políticas e religiosas. Cada um diz o que pensa e o que falam quase sempre é opinião pessoal; eis por que não é para acreditar cegamente em tudo o que dizem os Espíritos” [6].
Este trecho é importantíssimo, pois reforça a necessidade de prudência para com tudo o que venha do mundo dos Espíritos. Principalmente reforça a necessidade de encararmos os ditados mediúnicos como opiniões pessoais dos Espíritos que podem ser justos ou injustos, abrangentes ou limitados, verdadeiros ou falsos. Entretanto,
“Não devemos julgar os Espíritos pelo aspecto formal e a correção do seu estilo, mas sondar-lhes o íntimo, analisar suas palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção. Toda falta de lógica, de razão e de prudência não pode deixar dúvida quanto à sua origem, qualquer que seja o nome de que o Espírito se enfeite” [3].
Assim, nossa conclusão ao ler os escritos do Espírito Inácio Ferreira é que deve ser lido com muita prudência, pois da mesma forma que ele expressa algumas idéias aproveitáveis [embora neste texto tenham sido muito poucas], ele também expõem idéias contrárias aos mais elementares princípios espíritas e até ao mais rudimentar bom senso. Confunde, ou ignora momentos e informações importantes sobre a História do Espiritismo e faz afirmações que, se não analisadas com cuidado, correm o sério risco de serem divulgadas como se fossem verdadeiras. Então, que cada um leia e tire suas próprias conclusões como nós tiramos as nossas!
Referências:
[3] KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. LAKE. Cap. XXIV, item 266 e 267, 4ª questão.
[4] ________. O Evangelho segundo o Espiritismo. LAKE. Introdução, cap. II.
[5] ________. Idem. Cap. VI, item 04.
[6] PIRES, J. Herculano. Introdução ao Espiritismo. 1ª Ed. SP – Ed. Paidéia, 2009, p. 145.
sábado, 17 de setembro de 2011
O Aspecto Triplo do Espiritismo e o Desenvolvimento Moral do Espírito
“O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que podemos estabelecer com os Espíritos; como filosofia, abrange todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações”. [1]
Estudar com atenção o Espiritismo, compreender em profundidade a sua constituição é obrigação de todo aquele que se diz espírita. Como podemos observar no texto em epígrafe, o codificador apresentou o Espiritismo, de forma resumida, como contendo em si três aspectos fundamentais: i) o científico, fundado no conceito de ciência de observação e experimentação; ii) o filosófico, baseado nas reflexões geradas pela observação, e nas relações entre o objeto observado e o observador; e iii) as consequências morais, fundadas nesta reflexão filosófica, conduzindo a uma necessária postura ética ante a vida como efeito imediato da conscientização produzida pela assimilação destes conhecimentos.
Esta estrutura, ligeiramente modificada, é muito comum em nosso movimento espírita. Aprendemos, assim que entramos em uma sala de aula, seja do ESDE ou uma turma introdutória, conforme a região e a metodologia adotadas, que o Espiritismo pode ser representado como um triângulo onde a base é a ciência e a filosofia e a religião (para nós Moral) é o cume, o momento de transcendência do indivíduo. Embora eu particularmente não concorde com esta definição de Espiritismo como ‘religião’, este não é o nosso objetivo neste artigo. O importante é compreender qual a relação desta estrutura com o título do texto, ou seja, com o processo de desenvolvimento moral do ser.
Como dizíamos, esta representação do Espiritismo como um triângulo de forças é interessante porque nos leva a concluir que não temos como alcançar a transcendência sem a necessária análise reflexiva de nossas vidas e posterior aplicação prática dos conceitos e princípios morais espíritas que adotamos como regra de conduta. Esta representação pode ser aplicada com muito sucesso no processo de renovação moral do Espírito, encarnado ou desencarnado. Senão, vejamos suas relações:
1º) As características principais do aspecto científico são justamente a observação e a experimentação. Kardec ressalta o valor da observação quando diz que
“[...] Estudamos para conhecer o estado das individualidades do mundo invisível, as relações que existem entre elas e nós [...]. Nessa perspectiva não há nenhum Espírito cujo estudo seja inútil; aprendemos alguma coisa com todos; suas imperfeições, seus defeitos, sua incapacidade, sua própria ignorância são motivos de observação que nos iniciam na natureza íntima desse mundo” [2].
Utilizando o raciocínio da citação acima, o aspecto científico do Espiritismo deve ser utilizado como ferramenta para que possamos observar a estrutura interna de nosso eu. O objetivo é realizarmos um verdadeiro levantamento sobre nossa própria vida, uma catalogação de tudo o que for importante. E podemos começar esta observação seguindo o exemplo de Santo Agostinho, quando nos estimula a fazer o que ele fazia quando viveu por aqui:
“[...] No fim de cada dia interrogava a minha consciência, passava em revista o que havia feito e me perguntava a mim mesmo se não tinha faltado ao cumprimento de algum dever, se ninguém teria tido motivo para se queixar de mim. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim, necessitava de reforma” [4].
É desta maneira que o aspecto científico do Espiritismo serve para realizamos a primeira etapa do processo de desenvolvimento moral do ser, pois, somente após um levantamento cuidadoso e criterioso do que somos é que podemos utilizar o segundo aspecto da Doutrina Espírita;
2º) A segunda etapa neste processo é a reflexão filosófica em torno das observações feitas. A Filosofia Espírita realiza, nos dizeres de J. Herculano Pires, a interpretação da pesquisa efetuada através da observação e catalogação dos mínimos detalhes referentes aos fenômenos. As ferramentas imprescindíveis nesta etapa são a razão, o senso crítico e uma lógica rigorosa. É isto o que leva Kardec a dizer que a força do Espiritismo “está na sua filosofia, no apelo que faz à razão e ao bom senso” [5].
É este aspecto que será utilizado para interpretar os dados que coletarmos sobre o nosso mundo interior, sobre nós mesmos. Devemos analisar o estado de nossa individualidade, que defeitos possuímos; quais virtudes, que mundo íntimo criamos para nós mesmos; quais os nossos gostos, porque agimos de tal forma e não daquela outra; enfim, porque somos o que somos. Segundo Santo Agostinho
“O conhecimento de si mesmo é, portanto a chave do melhoramento individual. Mas, direis, como julgar a si mesmo? Não se terá a ilusão do amor-próprio, que atenua as faltas e as torna desculpáveis? O avaro se julga simplesmente econômico e previdente, o orgulhoso se considera tão-somente cheio de dignidade. Tudo isso é muito certo, mas tendes um meio de controle que não vos pode enganar. Quando estais indecisos quanto ao valor de uma de vossas ações, perguntais como a qualificaríeis se tivesse sido praticada por outra pessoa. Se a censurardes em outro, ela não poderia ser mais legítima para vós, porque Deus não usa de duas medidas para a justiça. Procurai saber também o que pensam os outros e não negligencieis a opinião dos vossos inimigos, porque eles não têm nenhum interesse em disfarçar a verdade e realmente Deus os colocou ao vosso lado com um espelho, para vos advertirem com mais franqueza do que um amigo” [4].
Como podemos ver, a análise crítica que tanto estimulamos que seja feita sobre os ditados dos Espíritos é a mesma que deve ser feita sobre nós mesmos. A mesma lógica rigorosa, o mesmo senso crítico e o mesmo bom senso devem ser usados para avaliar o que somos, o que queremos e o porque de não sermos ainda aquilo que almejamos ser.
3º) A última etapa, a das consequências morais, está representada, como dissemos, na parte de cima do triângulo. Aqui está estabelecida a Moral Espírita, que tem como fundamento o livro terceiro de O Livro dos Espíritos intitulado Leis Morais. É também conhecida como a famosa “Religião Espírita”. Este aspecto demonstra a finalidade última do Espiritismo que é o aperfeiçoamento moral e intelectual dos homens. Este é o momento em que o Espírito transcendendo a si próprio, alcança a plenitude.
Este momento, como dito no início do artigo, representa o momento de transcendência do indivíduo, pois após observar e catalogar os dados ele processou a informação de forma racional, analisou cada elemento, cada detalhe, cada vício, cada qualidade e compreendeu, ao aplicar seu senso crítico, o que é e o que deseja ser. Muito mais importante ainda é compreender que agora ele sabe, e não mais supõe que sabe quem é.
De forma bastante resumida, quisemos utilizar o aspecto triplo do Espiritismo para demonstrarmos que ele é útil para o aplicarmos ao processo de desenvolvimento moral do Espírito, em especial, do encarnado. Até porque só assim, através deste exercício, estaremos aplicando a fé raciocinada preconizada pelo Espiritismo. E só assim, também, poderemos nos tornar verdadeiros homens de bem. Até porque, segundo Kardec, “a crença no Espiritismo só é proveitosa para aquele de quem podemos dizer: ele está melhor hoje do que ontem” [3]. Bom, sabemos que poderíamos dizer muito mais, entretanto, creio que estão expostas de forma clara as relações e reflexões que achamos mais necessárias. Cada um pode complementar estas observações por si e tentar aperfeiçoar o seu desenvolvimento moral utilizando as reflexões expostas como pano de fundo.
Finalizamos este artigo endossando a opinião de Santo Agostinho quando afirma que “[...] Aquele que tem a verdadeira vontade de se melhorar explore, portanto, a sua consciência, a fim de arrancar dali as más tendências como arranca as ervas daninhas do seu jardim: que faça o balanço da sua jornada moral como o negociante o faz dos seus lucros e perdas, e eu vos asseguro que o primeiro será mais proveitoso que o outro. Se ele puder dizer que a sua jornada foi boa, pode dormir em paz e esperar sem temor o despertar na outra vida” [4].
Referências:
[1] PIRES, José Herculano. Introdução ao Espiritismo. 1ª Ed, SP – Ed. Paidéia, 2009. P. 69
[2] ______. Idem, p.148
[3] ______. Idem, item 38, p. 56
[4] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 65ª Ed, SP – LAKE, 2006. Q. 919-a.
[5] ______. Idem. Conclusão, item VI, p. 345.
sábado, 20 de agosto de 2011
Kardec e os conselhos de Erasto
Considerado por Allan Kardec como um Espírito que produziu comunicações que traziam o cunho incontestável da profundeza e da lógica, Erasto é um daqueles Espíritos a quem podemos chamar de sábio e profundo conhecedor da fenomenologia mediúnica. Não por acaso são encontradas muitas comunicações de sua autoria em um capítulo de O Evangelho segundo o Espiritismo e por todo O Livro dos Médiuns.
O capítulo XX, Influência Moral do Médium, é um destes. Tendo por objetivo aprofundar o conhecimento sobre a influência moral do médium na produção dos fenômenos espíritas, este capítulo é rico em informações para os espiritistas. Nele, Kardec desejava precaver os adeptos do Espiritismo contra o perigo de subestimar ou superestimar a influência dos médiuns na transmissão dos despachos de além túmulo.
Ele deve ser estudado atendendo ao sábio conselho dado pelo codificador, quando alerta que “o estudo prévio da teoria é indispensável, se o médium pretende evitar os inconvenientes inseparáveis da falta de experiência” [1]. Aprendemos neste capítulo que não existem médiuns perfeitos na Terra, mas bons médiuns, o que segundo os Espíritos já é muito, pois eles são raros! Até porque,
“O médium perfeito seria aquele que os maus Espíritos jamais ousassem fazer uma tentativa de enganar. O melhor é o que, simpatizando somente com os bons Espíritos, tem sido enganado menos vezes”.
É importante observar este trecho com atenção. Primeiro, porque não existe médium infalível. O que nos leva à certeza de que não há comunicação isenta de falhas, muito menos inquestionável. Segundo, porque se o melhor médium é o que tem sido enganado menos vezes, como supor que exista algum ‘intocado’ pelos Espíritos inferiores? Por exemplo: justamente pelo valor da sua história e da sua importância para o movimento espírita brasileiro e mundial, supor ser o Chico Xavier perfeito e isento de falhas seria demonstrar ignorar os mais básicos princípios do Espiritismo. Condenar uma análise crítica feita sobre alguma das suas obras psicografadas seria ignorar as insistentes recomendações feitas por Kardec e principalmente por São Luís quando afirma que
“Por mais legítima confiança que vos inspirem os Espíritos [...], há uma recomendação que nunca seria demais repetir e que deveis ter sempre em mente ao vos entregardes aos estudos: a de pesar e analisar, submetendo ao mais rigoroso controle da razão TODAS as comunicações que receberdes; a de não negligenciar, desde que algo vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro, de pedir as explicações necessárias para formar a vossa opinião”(Grifos nossos). [2]
A questão 10, do capítulo supracitado é valiosíssima por afirmar que
“Os Espíritos bons permitem que os melhores médiuns sejam às vezes enganados, para que exercitem o seu julgamento e aprendam a discernir o verdadeiro do falso. Além disso, por melhor que seja um médium, jamais é tão perfeito que não tenha um lado fraco, pelo qual possa ser atacado. Isso deve servir-lhe de lição. As comunicações falsas que recebe de quando em quando são advertências para evitar que se julgue infalível e se torne orgulhoso. Porque o médium que recebe as mais notáveis comunicações não pode se vangloriar mais do que o tocador de realejo, que basta virar a manivela de seu instrumento para obter belas árias”.
É incrível observar que se a maioria dos médiuns se propusesse a estudar esta magnífica obra de forma séria e metódica, a prudência teria evitado que diversas obras de conteúdo duvidoso tivessem sido publicadas, o que tornaria o movimento espírita brasileiro muito mais sério, respeitado e livre dos pseudossábios e mistificadores que entravam a sua obra de emancipação de consciências.
Entretanto, por mais sublimes e indispensáveis sejam estas informações, não são as únicas pérolas encontradas neste capítulo. Existe ainda uma advertência de Erasto com relação às comunicações repletas de ideias heterodoxas, “espiriticamente falando” que possam vir dos Espíritos e que poderiam ser insinuadas em meio às coisas boas junto a fatos imaginados, asserções mentirosas, com tamanha habilidade que poderiam enganar as pessoas de boa fé. Ele ainda estimula a eliminação sem piedade de toda palavra e toda frase equívoca, conservando-se na comunicação somente o que a lógica aprova ou o que a doutrina já ensinou; afirma que “onde a influência moral do médium se faz realmente sentir é quando este substitui pelas suas ideias pessoais aquelas que os Espíritos se esforçam por lhe sugerir. É quando ele tira da sua própria imaginação, as teorias fantásticas que ele mesmo julga, de boa fé [mas nem sempre], resultar de uma comunicação intuitiva” (Grifos nossos). Erasto também alerta ser necessário aos dirigentes espíritas possuírem um tato apurado e uma rara sagacidade para poder discernir as comunicações verdadeiras e não ferir o amor próprio daqueles que se permitem iludir com jóias falsas.
É neste momento que ele nos oferece um de seus mais famosos e importantes conselhos:
“Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos provérbios. Não admitais, pois, o que não for para vós de evidência inegável. Ao aparecer uma nova opinião, por menos que vos pareça duvidosa, passai-a pelo crivo da razão e da lógica. O que a razão e o bom senso reprovam rejeitai corajosamente. MAIS VALE REJEITAR DEZ VERDADES DO QUE ADMITIR UMA ÚNICA MENTIRA, UMA ÚNICA TEORIA FALSA. Com efeito, sobre essa teoria poderíeis edificar todo um sistema que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento construído sobre a areia movediça. Entretanto, se rejeitais hoje certas verdades, porque não estão para vós clara e logicamente demonstradas, logo um fato chocante ou uma demonstração irrefutável virá vos afirmar a sua autenticidade”.
Embora ela tenha se tornado uma regra de ouro [a frase destacada em maiúsculo], conforme J. Herculano Pires afirmou, devendo ser constantemente observada nos trabalhos e estudos espíritas, isolada do seu contexto ela perde a sua riqueza, o seu caráter especial, ficando deslocada e nem sempre parecendo justa. Analisemos a sua estrutura.
Primeiro reencontramos um sábio provérbio: “na dúvida, abstém-te”. Pois quem nunca duvidou não pode afirmar que encontrou a verdade, que adquiriu a convicção. O codificador é um belo exemplo de como a dúvida, sem exageros, conduz à verdade. É valiosíssimo o depoimento de Kardec encontrado em Obras Póstumas, onde ele afirma que um dos primeiros resultados das suas observações foi saber que os Espíritos nada mais são que as almas dos homens, possuindo conhecimentos limitados à sua condição evolutiva e que por isto as suas opiniões tinham o valor de uma opinião pessoal, nada mais. Foi esta verdade, compreendida desde o início que o protegeu de acreditar ingenuamente na infalibilidade dos Espíritos e de elaborar teorias prematuras com base nos ditados de uns ou de alguns [5]. Quantas teorias não são construídas dentro desta perspectiva? Os vários corpos do perispírito, em gritante oposição ao conceito formulado pelo codificador, a magia, as informações e afirmações sobre Física Quântica relacionados com o Espiritismo são alguns exemplos de ‘teorias’ edificadas em informações pessoais dos Espíritos como se fossem absolutamente verdadeiras. Elas não foram observadas, analisadas, criticadas, reavaliadas para serem aceitas como verdades verificadas. Aqui é onde entra a importância da abstenção. Pois se não possuo a firme convicção oriunda da análise sistemática, racional e eminentemente lógica e da experiência, como posso supor que uma determinada informação é verdadeira? Não podemos agir por achismos dentro do movimento espírita.
Em segundo lugar encontramos a importância de passar toda opinião, por menos duvidosa que pareça, pelo crivo da razão e da lógica. Como afirma Erasto, “é incontestável que, submetendo-se ao cadinho da razão e da lógica todas as observações sobre os Espíritos e todas as suas comunicações, será fácil rejeitar o absurdo e o erro” [6]. As palavras destacadas dão um valor importantíssimo à citação. Primeiro porque ressalta a importância de que haja um exame severo sobre os Espíritos comunicantes e suas comunicações. Segundo por que para Erasto, quem assim procede, não encontra dificuldades em perceber a ponta da orelha do mentiroso, do pseudossábio, do fanfarrão. Até porque estes Espíritos mistificadores podem, fingindo amor e caridade, semear a desunião e retardar o progresso da humanidade e da Ciência Espírita ao propagarem seus sistemas absurdos, muitas vezes com a ajuda não só de médiuns imprevidentes, mas de casas espíritas que se julgam privilegiadas, ou onde reinam a superstição e a falta de um estudo sistemático da Codificação. Não é à toa que Herculano Pires escreve que a
“confiança de Kardec na análise racional das comunicações é acertada, mas depende do critério seguro de quem analisa. Por isso mesmo é conveniente fazer a análise em conjunto e recorrer, no caso de dúvida, a outras pessoas de reconhecido bom senso. O Espírito farsante pode influir sobre um indivíduo e sobre um grupo, o que tem ocorrido com freqüência em virtude da vaidade, da pretensão ou do misticismo dominante. Comunicações avulsas e até obras mediúnicas alentadas, evidentemente falsas, têm sido publicadas, aceitas e até mesmo defendidas por grupos e instituições diversas”. [3]
Terceiro, após as considerações acima expostas, compreendemos que o conselho do Erasto visa antes à prudência que o exagero. E isto fica muito claro quando ele desenvolve seu raciocínio, no fim deste parágrafo, ao afirmar que se hoje rejeitamos certas verdades, pelo fato de não estarem devidamente demonstradas amanhã um fato “chocante” poderá afirmar a sua autenticidade. E este é o ponto chave da sua afirmação, pois se não temos certeza de uma opinião, como podemos provar a sua autenticidade? Por mais respeitável que seja o nome que subscreva a comunicação, por mais atraente que seja uma teoria, só o tempo e uma metodologia de pesquisa adequada poderão provar que ela está correta. É por isto que não devemos ter medo de rejeitar uma ideia, sem, no entanto, ignorar que ela pode, se for testada e averiguada, provar estar certa. Esta observação é confirmada por Kardec da seguinte forma:
“Se é certo que a utopia de hoje se torna muitas vezes a verdade de amanhã, deixemos que o futuro realize a utopia de hoje, mas não enredemos a Doutrina com princípios, que possam ser considerados quimeras e a tornem rejeitada pelos homens positivos” [4].
Como pudemos ver nesta sucinta análise, não é absurdo rejeitar dez verdades para não ter que aceitar uma mentira porque não estão clara e logicamente demonstradas. E é justamente por conselhos como estes, compreendidos em seu contexto, que Kardec considerou Erasto um Espírito Superior, pois só um poderia ensinar tanto com tão pouco. O estudo das suas mensagens deve ser obrigatório nas casas espíritas. E diferente de outros “espíritos famosos” da atualidade, muito verbosos e prolixos, com suas dezenas de perispíritos e magos, este sim é um ilustre desconhecido que precisa ser redescoberto!
[1] KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 23ª Ed. SP – LAKE, 2004. Cap. XVII, p. 177
[2] ______. Idem. Cap. XXIV, item 266, p. 236
[3] ______. Idem, ibidem
[4] ______. Obras Póstumas. 14ª Ed. SP, LAKE – 2007. Segunda parte, Dos Cismas, p. 282
[5] ______. Idem, p. 218
[6] ______. O Evangelho segundo o Espiritismo. 61ª Ed. SP – LAKE, 2006. Cap. XXI, item 10, p. 265
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Alguns Comentários Sobre Física Quântica e Espiritismo
Nota: o presente artigo tem o intuito de oferecer alguns esclarecimentos com relação às informações sobre física quântica que o autor leu na resenha sobre o VI SIMESPE e de suas vivências como físico, escritor e palestrante espírita Brasil afora. É um complemento à resenha já citada e deve ser lido com atenção e sem pressa.
Alguns Comentários Sobre Física Quântica e Espiritismo
Alexandre Fontes da Fonseca
Na Revista Espírita de Julho de 1860 [1], no último parágrafo do ítem “Observação Geral”, Kardec diz:
Assim, é sobretudo nas teorias científicas que precisa haver muita prudência e evitar dar precipitadamente como verdades sistemas por vêzes mais sedutores que reais e que, mais cedo ou mais tarde, podem receber um desmentido oficial. (Grifos nossos).
Diz um provérbio: ‘Nada mais perigoso que um amigo imprudente.’ Ora, é o caso dos que, no Espiritismo, se deixam levar por um zêlo mais ardente que refletido. (Grifos nossos).
A afirmação acima é de grande importância para o movimento espírita em vista do interesse atual no desenvolvimento da Ciência e em particular, na Física Quântica. Uma rápida busca na internet apresenta diversas doutrinas e práticas espiritualistas que dizem possuir demonstrações de seus conceitos em termos da Física Quântica. No meio espírita, há obras de autoria de encarnados e desencarnados que se utilizam de conceitos da Física Quântica na tentativa de explicar ou esclarecer determinados temas de estudo. Mas, estaria a Física Quântica realmente dando *contribuições* ao Espiritismo? Será que pode estar havendo o que Kardec mencionou como tendo zêlo mais ardente do que refletido em algumas afirmações relacionando Física Quântica e Espiritismo?
Um zêlo ardente pode ser entendido como uma defesa a um assunto de modo apaixonado e emocional, por acreditar que isso pode ajudar ou validar aquilo que se está defendendo. Um exemplo pode ser ilustrado da seguinte maneira. Suponha que notícias nos chegam de que uma coisa, que é reconhecidamente importante dentro de uma área do conhecimento humano (como a Ciência, por exemplo), está ajudando a divulgar uma determinada doutrina ou teoria filosófica. Suponha que não sabemos bem o que é essa coisa, mas que temos observado pessoas que detém títulos universitários defenderem a ligação entre a coisa e alguma doutrina espiritualista, como algo verdadeiro e seguro. Desejosos de ver o Espiritismo mais *divulgado* e *valorizado* começamos a acreditar e a repetir em discursos no movimento espírita, que essa coisa também demonstra a validade dos conceitos do Espiritismo. Isso é um exemplo de zêlo ardente. Por quê? Porque nós não buscamos conhecer em profundidade o que é essa coisa e decidimos confiar na opinião alheia dos que a defendem, acreditando que isso vai ajudar o Espiritismo. Portanto, num zêlo ardente, agimos apenas pela *emoção* relacionada ao desejo de ver a nossa doutrina validada por um assunto considerado importante pela sociedade humana.
Um zêlo refletido é uma defesa à nossa doutrina com reflexão. Refletir envolve a leitura dos conceitos, meditação, comparação de valores e significados, testes, experimentos e uma conclusão obtida com toda a lógica que o bom senso científico e filosófico permitem. O comentário acima citado de Kardec de que “... é sobretudo nas teorias científicas que precisa haver muita prudência e evitar dar precipitadamente como verdades sistemas por vêzes mais sedutores que reais e que, mais cedo ou mais tarde, podem receber um desmentido oficial” (grifos nossos) é um exemplo de zêlo refletido porque ele sabia que as Ciências se desenvolvem através de muito rigor e a análise crítica de tudo o que os cientistas criam e descobrem.
Um outro exemplo de zêlo refletido encontramos nas palavras de André Luiz em seu prefácio da obra Mecanismos da Mediunidade [2]: “Aliás, quanto aos apontamentos científicos humanos, é preciso reconhecer-lhes o caráter passageiro, no que se refere à definição e nomenclatura, atentos à circunstância de que a experimentação constante induz os cientistas de um século a considerar, muitas vezes, como superado o trabalho dos cientistas que os precederam.” (Grifos nossos). Adiante ele acrescenta que: “Assim, as notas dessa natureza, neste volume, tomadas naturalmente ao acervo de informações e deduções dos estudiosos da atualidade terrestre, valem aqui por vestimenta necessária, mas transitória, da explicação espírita da mediunidade, que é, no presente livro, o corpo de idéias a ser apresentado.” (Grifos nossos). Ambos os comentários acima demonstram a reflexão feita por André Luiz de que a Ciência está sempre evoluindo em seus conceitos e que por isso não se deve tomar como absolutas as explicações para os mecanismos da mediunidade contidas na obra. Em outras palavras, André Luiz não considera que os conceitos da Ciência (nesta obra em particular, os conceitos da Física) estão demonstrando cientificamente a mediunidade, mas sim utilizando seus conceitos para tentar traduzir em uma linguagem já acessível a nós encarnados, os mecanismos do fenômeno da mediunidade. Além disso, não se pode dizer que a Ciência estaria comprovando o que André Luiz diz nessa obra pois ele foi claro ao dizer que “...as notas dessa natureza, neste volume, tomadas naturalmente ao acervo de informações e deduções dos estudiosos da atualidade terrestre...” e por isso os conceitos que ele utilizou já foram comprovados pela Ciência.
Assim, podemos agora analisar e refletir algumas afirmações feitas no movimento espírita de que a Física Quântica estaria confirmando alguns conceitos espíritas. Vamos aproveitar o comentário recente de A. Santiago em seu blog “Análises Espíritas” [3], em que apresenta uma extensa e detalhada resenha do VI Simpósio de Estudos e Práticas Espíritas de Pernambuco, ou SIMESPE, com o tema: “A Ciência a caminho da espiritualização – A importância do Espiritismo no processo evolutivo do ser”. O VI SIMESPE aconteceu nos dias 15, 16 e 17 de Julho no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda. Em particular, nos interessa a descrição de A. Santiago de uma palestra do VI SIMESPE intitulada “Contribuição da Física Quântica no processo de interação mente/corpo – Comprovações científicas das informações de André Luiz”, realizada pelo Dr. Décio Iandoli.
Primeiramente, devemos fazer a importante ressalva de que os comentários a seguir se baseiam apenas no que foi postado no blog e que de modo algum significam crítica ao palestrante a quem devemos todo o respeito e admiração pelos esforços que tem feito na divulgação da Doutrina Espírita.
Primeiramente, temos o dever de informar que a Física Quântica não está, formalmente ou profissinalmente falando, contribuindo para a confirmação dos conceitos espíritas ou espiritualistas. Para a Ciência, incluindo a Física, a mente ou a consciência nada mais são do que fenômenos que emergem da complexidade da rede de neurônios que compõem o cérebro. Existem pesquisadores que dentro do escopo da teoria quântica, buscam identificar o que seria a mente ou a consciência. Porém, isso não é uma busca pelo Espírito, mas sim pela descoberta de efeitos quânticos do cérebro que pudessem representar a consciência. Como a teoria quântica é uma teoria material, ela só se aplica a objetos ou coisas materiais. Por isso, uma consequência desses estudos é que morto o cérebro, morta a consciência ou mente quântica. Por serem formados de átomos, o cérebro pode até mesmo possuir ou manifestar efeitos quânticos. Mas, além de termos que aguardar até que essas pesquisas forneçam alguma informação confiável, isso ainda não constituirá uma demonstração do Espírito como agente da vida.
Sobre possíveis "Comprovações científicas das informações de André Luiz", eu gostaria de fazer um comentário de que tudo o que André Luiz fala com base na Física, daquilo que não estiver equivocado (ver artigo da Ref. [4]), já havia sido comprovado.
Sobre a palestra em questão, A. Santiado fez os seguintes comentários: “Tudo bem que ele falou mais das nossas escolhas, da influência do observador sobre a realidade, daquilo que está mais próximo da nossa realidade sensível, material e não da espiritual, querendo forçar conceitos de hiperespaço ou universos paralelos como se fossem teorias explicativas da realidade espiritual." Nesse tipo de colocação, percebemos a boa intenção do palestrante em tentar relacionar as interpretações estranhas e misteriosas da teoria quântica em termos de conceitos espirituais. Porém, em vista da complexidade e da importância em desenvolvermos um zêlo refletido sobre o assunto, vamos esclarecer os erros nesse tipo de afirmações em vista da responsabilidade que temos perante os leitores, em particular os mais jovens. Vamos dividir os pontos importantes por questões:
- A questão da influência do observador sobre a realidade não é bem o que vários espiritualistas tem afirmado. Não basta *querer* para que a realidade se altere. A *vontade* é importante mas, conforme orienta o Evangelho, a nossa influência sobre a realidade depende de realizarmos pelo nosso livre-arbítrio, todo os esforços ao nosso alcance para o bem geral. Não existe poder especial ou místico sobre a realidade. A teoria quântica afirma que os resultados possíveis de uma medida obedecem a leis probabilísticas. Se o cientista pudesse influenciar o resultado, ele determinaria o resultado de acordo com o seu desejo e não ficaria, portanto, sujeito à probabilidades. Mais adiante, ao comentar sobre a escolha do observador, o equívoco na interpretação do conceito de influência do observador na teoria quântica ficará mais claro.
- A questão sobre conceitos de hiperespaço e universos paralelos é outra que gera confusão com conceitos espíritas ou espiritualistas relacionados ao mundo espiritual. Para a Física, o conceito de universos paralelos não implica em nada de natureza espiritual. Se esses universos paralelos existirem, eles serão universos materiais, podendo ser quase iguais ou muito diferentes do nosso próprio universo. A teoria de universos paralelos [5] surgiu de uma idéia proposta nos anos 50 de que o Universo inteiro seria representado por uma função de onda e teria, assim, possibilidades diferentes. Cada uma dessas possibilidades seria um universo inteiro com coisas e seres semelhantes ou diferentes de nós, mas cada um com uma dada probabilidade. Ao fazer-se uma medida, aquilo que em Física Quântica é conhecido como o colapso da função de onda (a ser comentado adiante) ao invés de nos fazer pensar que o sistema evoluiu de modo irreversível para o estado final relacionado com o resultado da medida, o que ocorre é que apenas vemos o resultado relacionado com o nosso universo próprio, enquanto que os outros resultados ocorrem em universos paralelos, sem comunicação com os outros ou conosco. Isso resolve, de certa forma, os problemas filosóficos em torno da questão da medição em mecânica quântica e o colapso da função de onda. Por exemplo, diante de uma situação como decidir se ir para a direita ou para esquerda, essa teoria de universos paralelos prevê existem dois universos relacionados a essa escolha: um em foi escolhido ir para a direita e outro em que foi escolhido ir para a esquerda. Na verdade, não escolhemos nada, pois os dois universos existiriam de modo um independente do outro, e um sem saber o que acontece com o outro. Mas em cada universo, achamos que nós fizemos a escolha. Nessa teoria, os universos paralelos quase não interagem ou interferem uns nos outros. Como essa teoria poderia representar o mundo espiritual se os Espíritos afirmaram a Kardec que o mundo espiritual nos influencia a todo o momento, mais do que imaginamos (questão 459 de O Livro dos Espíritos [6])? Como explicar dois ou mais universos com cópias idênticas ou quase idênticas de nós mesmos nesses universos? Cada uma dessas cópias tem uma cópia do nosso Espírito, da nossa alma? Essa teoria, da forma como ela é, não serve para explicar o mundo espiritual que está ao nosso redor e interage incessantemente conosco.
Adiante, A. Santiago, em sua resenha sobre o VI SIMESPE diz: "Para encerrar os comentários sobre esta conferência, de acordo com a exposição do Dr. Iandoli, vale ressaltar que conforme a teoria quântica a realidade como a entendemos surge como um resultado [colapso] da escolha que fazemos dentro de um leque de possibilidades." Com todo o respeito, esse também é um equívoco muito comum que decorre das interpretações da Física Quântica. Comentamos essa questão a seguir:
- A questão sobre a realidade surgir como resultado de uma escolha que fazemos também é um erro de interpretação da teoria quântica. Nós não temos o poder de escolher qual será a realidade que se manifestará dentre as possibilidades que a teoria quântica prevê. Um exemplo ajudará a entebder o que pode acontecer de acordo com a Física Quântica. Considere o fenômeno do spin de um elétron. O spin é uma propriedade magnética intrínseca das partículas subatômicas. Uma medida do spin de um elétron pode apresentar apenas dois resultados representados pelos valores: +1/2 ou -1/2. A teoria quântica prevê que existe uma probabilidade de 50% de chance de se obter um valor +1/2 na medida do spin de um elétron, e 50% de chance de se obter -1/2. Ela não afirma que temos o poder de escolher para que valor de spin (+ ou - 1/2) um determinado elétron terá. A teoria apenas prevê que em uma certa quantidade de elétrons, digamos, por exemplo, em 100 (cem) elétrons, aproximadamente metade deles terão spin +1/2 e metade spin -1/2. Ninguém tem o poder de escolha ou de determinação sobre que elétrons terão valores positivos ou não de spin. Um pouco dessa confusão surge porque de acordo com a Física Quântica, o estado do elétron, se tem spin +1/2 ou -1/2, é indeterminado antes de se fazer uma medida. Ao fazer a medida, um dos valores se revela e o elétron passa a ter esse valor permanentemente (enquanto outras interações não ocorrem com ele, é claro). A teoria quântica não responde à questão sobre *por quê* um determinado elétron manifestou determinado valor de spin.
A idéia da escolha do observador só se aplica para o tipo de característica se deseja medir, de acordo com a chamada dualidade onda-partícula. Por exemplo, para um elétron, podemos medir propriedades ondulatórias ou corpusculares. Essa escolha nós temos, isto é, nós escolhemos se desejamos montar um experimento para medir propriedades ondulatórias, ou um experimento para medir propriedades corpusculares.
A idéia de que é a consciência que determina a realidade ganhou força no meio espiritualista com as teses do Prof. Amit Goswami que defende que é uma Consciência maior que determina a realidade. Porém, as idéias do Prof. Goswami são induístas e possuem vários conflitos com o que o Espiritismo ensina, conforme análise já publicada na literatura espírita [7].
Conforme discutido em artigos recentes [8,9], o fato da Física Quântica não estar comprovando o Espiritismo não é motivo de preocupação. Isso pois ela não está, por outro lado, contradizendo nenhum conceito da Doutrina Espírita. Aos que acreditam que a Física Quântica está comprovando o Espiritismo, fica a nossa compreensão respeitosa de que estão tendo um zêlo mais ardente do que refletido, convidando-os a um estudo mais aprofundado da teoria quântica. Uma sugestão é a leitura da obra didática “Conceitos de Física Quântica” volumes I e II, do Prof. Osvaldo Pessoa Jr. [10,11].
Nossos comentários não significam de modo absoluto que a Física nunca poderá contribuir com o Espiritismo. De fato, em estudos anteriores, mostramos que a Física ajuda a entender alguns conceitos espíritas [12,13]. Porém, esses estudos não significam que a Física esteja demonstrando cientificamente o Espiritismo.
Um outro aspecto interessante e importante de ser comentado foi percebido por mim por ocasião de um seminário intitulado “O que é Física Quântica e Como Relacioná-la ao Espiritismo?” que apresentamos no Centro Espírita Allan Kardec, de Campinas, em Abril de 2011. O seminário é dividido em duas partes de 50 minutos, em que na primeira parte apresentamos vários conceitos básicos da Física Quântica em linguagem tão acessível quanto possível ao público leigo, e na outra parte, apresentamos uma análise das possíveis relações entre Física Quântica e Espiritismo, apresentando alguns dos equívocos comentados neste artigo. O que é importante comentar é que várias pessoas comentaram comigo que acharam a Física Quântica bastante difícil e que entenderam melhor a segunda parte, onde predominantemente, falamos do Espiritismo. Isso mostra que ao contrário do que se imagina, o estudo da Física Quântica é algo difícil e demanda tempo e dedicação especiais, e que não é com leituras de obras de divulgação, que aprenderemos de modo aprofundado essa teoria da Física. Por essa razão, fazemos nossas as seguintes palavras de recomendação com relação à afirmativas de teor científico que não podemos avaliar: “Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea.” (Erasto, no ítem 230 do Cap. XX, de O Livro dos Médiuns [14]).
Para concluir, chamamos Kardec (Obras Póstumas [15] e Revista Espírita de Dezembro de 1868 [16]): “Se é verdade que a utopia da véspera, frequentemente, seja a verdade do dia seguinte, deixemos ao dia seguinte o cuidado de realizar a utopia da véspera, mas não embaraçemos a Doutrina com princípios que seriam considerados quimeras e a fariam rejeitar pelos homens positivos.” (Grifos nossos).
Referências
[1] A. Kardec, “Observação Geral”, Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos Julho, p. 229 (1860) Ed. Edicel.
[2] Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, Mecanismos da Mediunidade, pelo Espírito de André Luiz, FEB, 11ª edição, Rio de Janeiro, 1990.
[4] A. F. da Fonseca, “Um Ensaio sobre Matéria e Energia”, FidelidadESPÍRITA 91 (Abril), p. 6 (2010); e 92 (Maio), p. 20 (2010). Reproduzido em:
[5] H. Everet III, “Relative State Formulation of Quantum Mechanics”, Reviews of Modern Physics 29, p. 454 (1957).
[6] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, FEB, 1ª edição Comemorativa do Sesquicentenário, Rio de Janeiro, 2006.
[7] A. F. da Fonseca, “A Obra “A Física da Alma” e o Espiritismo”, O Consolador 188, (2010),
[8] A. F. da Fonseca, “O “Medo” da Ciência e a Atualização do Espiritismo: Parte I”, Reformador 2188, Julho 2011, pag. 18, (2011).
[9] A. F. da Fonseca, “O “Medo” da Ciência e a Atualização do Espiritismo: Parte II”, Reformador 2189, Agosto 2011, pag. 18, (2011).
[10] O. Pessoa Jr., Conceitos de Física Quântica Volume I, 1ª Edição, Editora Livraria da Física, São Paulo (2003).
[11] O. Pessoa Jr., Conceitos de Física Quântica Volume II, 1ª Edição, Editora Livraria da Física, São Paulo (2006).
[12] A. F. da Fonseca, “Caos, complexidade e a influência dos espíritos sobre os fenômenos da natureza”, FidelidadESPÍRITA 12 (Setembro), p. 20 (2003).
[13] A. F. da Fonseca, “A Física Quântica e as questões 34 e 34-a de O Livro dos Espíritos”, Reformador, Dezembro, p. 14 (2008).
[14] A. Kardec, O Livro dos Médiuns, Editora FEB, 62ª Edição, Rio de Janeiro (1996).
[15] A. Kardec, Obras Póstumas, IDE, 1ª edição, Araras (1993).
[16] A. Kardec, “Constituição Transitória do Espiritismo, III Dos Cismas”, Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos Dezembro, p. 374 (1868) Ed. Edicel.
Assinar:
Postagens (Atom)


