sábado, 11 de outubro de 2008

Palavra do Herculano

Vez por outra, tentarei trazer para cá alguns trechos relevantes de obras de autores espíritas que mereçam ser apresentadas ou relembradas.

Quem vem abrir esta sequência é alguém que me ensinou (e ensina ainda) muito através de suas obras, que deu um belíssimo exemplo de vida, que defendeu a Doutrina Espírita como poucos, enfim, alguém que fez sua inteligência brilhar em muitos campos onde pousou sua pena: J. Herculano Pires.

E o trecho pinçando é do prefácio da obra Diáletica e Metapsíquica de uma outra figura importantíssima: Humberto Mariotti.

Uma nova civilização

Se não houver, neste momento, a ação da alavanca da Filosofia Espírita, salvando o Espiritismo da "ingenuidade popular" e transformando-o, não mais em simples crença, mas em conhecimento, o processo natural desse entrosamento pode ser desvirtuado, pelo trabalho de sapa das forças contrárias.

Aos espíritas, portanto, cabe o dever indeclinável de lutar para que esse entrosamento se realize. A bibliografia espírita, quiçá insuperável pela de qualquer outro movimento filosófico, deve descer das estantes e penetrar nas massas, para não se submeter à "ingenuidade" destas, mas para orientá-las no sentido da sua libertação moral, espiritual, intelectual e social. Para tanto, é necessário um novo trabalho de elaboração, de aglutinação, de sistematização do conhecimento espírita, na forma de compêndios culturais e de manuais populares.

O aspecto religioso ou "ingênuo" do Espiritismo salvou-o da indiferença e da hostilidade conjugada de todas as forças dominantes do século 19 e do século 20, escondendo-o no coração do povo, onde ele viveu e progrediu em silêncio, e permitindo, ao mesmo tempo, o trabalho cultural dos intelectuais espíritas. Temos hoje uma população espírita no mundo, e temos uma cultura espírita.

Mas não temos a sociedade nem a civilização espíritas e nem mesmo a necessária e prévia ligação entre as massas espírita e a cultura espírita, para a criação daquelas. Estamos, porém, no caminho dialético do desenvolvimento de uma nova civilização, e se compreenderms isso, lutando para alcançar o futuro, chegaremos lá.

Encerro aqui este tópico de abertura, que se houver necessidade faço uma análise deste texto para melhor o compreendermos.

No mais, deixo um algo para pensarmos:

Excessos de gentileza
Em O Centro Espírita
O Espiritismo é natural e exige naturalidade dos que pretendem vivê-lo no dia-a-dia, em relação simples com o próximo. Os maneirismos, as modulações artificiais da voz, os excessos de gentileza mundana e tudo quanto representa artifício de refinamento social, deformando a natureza humana e a pretexto de aprimorá-la, não encontram aceitação nos meios verdadeiramente espíritas. O que o Espiritismo objetiva é a transformação interior das criaturas.

Boas reflexões e bons estudos!

2 comentários:

  1. "Não há, entretanto, para o homem de estudo, nenhum antigo sistema filosófico, nenhuma tradição, nenhuma religião a negligenciar, porque todos encerram os germes de grandes verdades que,se bem pareçam contraditórias entre si,dispersas que se acham em meio de acessórios sem fundamentos,facilmente coordenáveis se vos apresentam,graças à explicação que o ESPIRITISMO dá de uma imensidade de coisas que até agora se vos afiguravam sem razão alguma e cuja realidade está hoje irrecusavelmente demonstrada."

    O tríplice aspecto Científico-filosófico e moral e, um critério metodológico de aferição,chamado de "CUEE",cujo bojo traz um sentido progressista,acompanhará os avanços de variados campos do saber humano.Ensejando-nos um avanço intelecto-moral.
    Se somos espíritas, estudemos a Filosofia Espírita.

    SERGIO MA.

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  2. Sim, Anderson, gostaria de ver sua análise sobre esse texto de Humberto Mariotti.

    Abraços.

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